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Reforma tribut�ria n�o reduz�carga de impostos, diz relator
São Paulo ? O relator da reforma tributária, deputado Virgílio Guimarães, admitiu que o texto aprovado pela comissão especial da Câmara não reduz a carga tributária. Para ele, é impossível reduzir impostos enquanto o governo mantiver as elevadas taxas de juros que consomem boa parte do orçamento da União. Para o relator, o objetivo imediato da reforma é criar condições para a redução dos juros. ?A redução da carga tributária ficará para um outro momento?, afirmou, durante debate promovido pela Força Sindical. Também participaram do debate o presidente da Federação Nacional do Comércio, Abram Szajman, o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o coordenador de estudos tributários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Cláudio Vaz e o tributarista Ives Gandra Martins. A discussão foi mediada pelo jornalista Heródoto Barbeiro, da rádio CBN, que transmitiu ao vivo o debate. À exceção de Virgílio, todos os demais participantes fizeram críticas ao projeto. Segundo Martins, o fato de a reforma delegar a leis regulamentares a definição de alguns pontos abre caminho para o aumento da carga tributária. ?Meu grande receio é que no plenário do Congresso possa haver alguma surpresa. Uma coisa é um governador dizer que é contra o aumento de impostos, outra é a orientação que dará aos seus deputados?, disse o tributarista. Virgílio admitiu que sofreu pressões na elaboração do texto que será submetido ao plenário da Câmara ainda nesta semana. Ele disse que tentou incluir no texto um dispositivo que preserva o capital produtivo do imposto sobre grandes fortunas, mas foi obrigado retirar o artigo. ?Queria que estivesse no texto. Estava no relatório preliminar, mas tiraram do final?, admitiu. Empresário e representantes do comércio protestaram ontem contra o texto da reforma e já ameaçam recorrer à Justiça para evitar um aumento de impostos. Durante debate realizado com empresários em São Paulo, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horacio Lafer Piva, afirmou que a entidade está até deixando de lado o combate aos juros altos para cuidar da questão da reforma. ?Eu estou em paz esta semana com as taxas de juros. Mas se fosse falar de Reforma Tributária, eu viraria bicho?, disse Piva. As afirmações foram feitas diante do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que defendeu a proposta do governo. ?Esse governo não tem como meta aumentar a carga tributária. Todas as nossas ações são no sentido de contenção de despesas?, afirmou Meirelles. O presidente da Associação Comercial de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, fez críticas mais duras e chamou a reforma de ?remendão?. ?Se aprovar (a reforma) do jeito que está, vai ser a maior enxurrada de ações na Justiça. Tudo isso é agressivo à Constituição?, afirmou Afif.