Nacional
Lula avisa a ministros que n�o aceita reclama��es nos jornais
Brasília ? Descontraído no início, o clima da reunião de ontem no Palácio do Planalto foi se tornando mais pesado, à medida que os números do Orçamento eram apresentados pelo ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Guido Mantega. Ao verificar os gestos de descontentamento dos demais ministros por causa da escassez de recursos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou de avisar: não quer ver reclamação de ninguém nos jornais. Lula pediu que quem quisesse falar que o fizesse naquele momento. Foi o suficiente para que quase todos apresentassem as queixas, a começar pelo ministro da Educação, Cristóvam Buarque, conhecido como o mais chorão da Esplanada. O presidente ouviu, pacientemente, as lamúrias, deixou o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, fazer as ponderações de ordem fiscal e reiterou o recado: não quer mais reclamações de falta de dinheiro. A partir dali, segundo afirmou Lula, seria exigida de todos uma ?política unitária? de governo. ?Não quero ver um ministro tentando tirar dinheiro de outro ministro?, advertiu Lula, que concordou com a cabeça quando Palocci explicou que não há como aumentar a dotação de cada ministério, como querem os ministros, e ao mesmo tempo reduzir impostos, como deseja a sociedade. ?Se for para atender a todos, só aumentando a carga tributária, e não tem como aumentar?, disse o ministro. O momento de constrangimento da reunião foi provocado pela obsessão do vice-presidente, José Alencar, com a queda dos juros. Ele aproveitou a reunião para mais uma vez manifestar a preocupação, só que o assunto não encontrou eco entre os ministros, que estavam mais preocupados em tentar conseguir mais recursos para suas pastas. A encontro durou cerca de quatro horas e foi aberta por Lula, que disse ter boas expectativas para 2004. ?Estamos otimistas porque a arrecadação poderá aumentar em função do crescimento econômico e, talvez, possamos fazer mais do que o previsto?, comentou o presidente, de acordo com nota distribuída pelo Planalto. O presidente, em determinados momentos deixou a impressão de ter ficado decepcionado com pontos específicos do Orçamento. Segundo texto distribuído pelo Planalto, só dois ministros faltaram ao encontro: Luiz Gushiken, da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica, e Tarso Genro, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Além dos demais ministros, participaram da reunião os líderes do governo Aloizio Mercadante (PT-Senado), Aldo Rabelo (PC do B-Câmara) e Amir Lando (PMDB-Congresso).