Nacional
CNBB faz cr�ticas ao governo de Lula
Brasília - Em entrevista coletiva na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na manhã de ontem, em Brasília, o presidente da CNBB, dom Geraldo Majella Agnelo, falou sobre o documento ?Análise de Conjuntura?, feito por um grupo de assessores do órgão. Questionado se a Igreja Católica concorda com a o trecho do documento o qual afirma que ?os indicadores macro-econômicos gozam de boa saúde, ao passo que os indicadores sociais sofrem de anemia crônica?, conforme dom Geraldo afirmou: ?Esta constatação é tão evidente que certamente todos nós estamos de acordo?. Reformas Sobre as reformas do governo Lula, dom Geraldo disse que ?A CNBB vê a necessidade de uma reforma não para favorecer privilégios, mas que possa favorecer a todos, aos assalariados, aos que têm renda mais baixa. Não vamos apresentar nenhum modelo, mas chamamos atenção para exigências éticas sobre esta questão?. ?Esperamos ver indicações claras?, disse dom Geraldo Majella. Questionado se a Igreja está apreensiva pelo fato de a maioria católica apoiar o PT nas eleições, e perceber agora as demora nas reformas, dom Antonio Celso Queirós, vice-presidente da CNBB disse: ?Todos nós compreendemos que mudar a fisionomia de um país não é coisa de seis meses, nem de um ano. Nem sei se de quatro anos. O que a gente espera é ver indicações claras de que as mudanças começaram numa nova direção em que há novos valores, valores sociais, os valores do atendimento a tudo que é fundamental para a vida?, disse o vice-presidente da CNBB. Indagado sobre a posição da Igreja em relação à taxação dos inativos, dom Antonio Celso falou: ?Taxar inativos só pode ser uma medida de emergência. No caso do Brasil, em que há inativos que são verdadeiros marajás, e inativos que continuam pobres, miseráveis, é possível que seja um dos meios para se equilibrar um pouquinho a questão da Previdência. Normalmente falando, não seria caso de taxar inativos. Talvez, no Brasil, em alguns casos é preciso taxar. Precisaria rever completamente isto. Por que chamar de direito adquirido aquilo que é um abuso visível, acho que é forçar demais as coisas?, afirmou.