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Resende atribui viol�ncia no campo a latifundi�rios
Brasília ? O ex-presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) Marcelo Resende culpou ontem os latifundiários pela violência no campo. Demitido na terça-feira pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, ele se disse surpreso com a sua exoneração, pois avalia que seguia à risca o programa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O novo presidente do Incra, Rolf Hackbart, será empossado hoje. Apesar da anunciada intenção de manter os atuais 29 superintendentes nos Estados, ele terá de nomear novos auxiliares. É que o procurador-geral do Incra, Carlos Frederico Marés, anunciou que deixará o órgão junto com outros oito técnicos da direção central nomeada por Resende. ?O que gera violência são os latifundiários, que têm as suas terras improdutivas, que vão contra a possibilidade de se fazer reforma agrária neste País. É isso que emperra, é isso que gera a violência no campo?, disse o ex-presidente do Incra. Nos sete primeiros meses do governo Lula, os conflitos agrários sacudiram o campo: foram registradas 171 invasões, mais do que nos 12 meses do ano passado. Resende evitou criticar Rossetto e negou que faltasse ?sintonia? entre os dois ? motivo alegado pelo ministro para a substituição. Em carta enviada a movimentos sociais, a amigos e também divulgada à imprensa, o ex-presidente do Incra diz que Rossetto alegou ?motivos de ordem política e pessoais? ao demiti-lo. ?Saio com dignidade, sem mágoa. Quem pode perder nesse jogo é o povo acampado.? Indicado pela Comissão Pastoral da Terra, por movimentos sociais como o MST e pelo ex-governador de Minas Itamar Franco, Resende disse que a escolha dos superintendentes foi decidida em conjunto com Rossetto e o presidente do PT, José Genoino. A ligação dos superintendentes com o MST e outros movimentos era uma das principais críticas à gestão de Resende, acusado de pôr o Incra a serviço dos sem-terra.