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Governo lan�a programa contra analfabetismo

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Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou ontem, no Palácio do Planalto o programa Brasil Alfabetizado, que pretende livrar 20 milhões de pessoas do analfabetismo até 2006. Lula defendeu uma ?campanha de vacinação em massa onde o vírus que se deseja matar é o do analfabetismo?. O ministro da Educação, Cristovam Buarque, emendou dizendo que ?agora, vamos dar letrinhas, como demos gotinhas (nas campanhas de vacinação contra a paralisia infantil)?. O programa receberá R$ 170 milhões neste ano e R$ 185 milhões em 2004. O governo federal vai firmar convênios com prefeituras e organizações não-governamentais (ongs) para promover a educação de adultos. O Ministério da Educação já liberou R$ 94 milhões para essa finalidade. Serão repassados R$ 80 por alfabetizador capacitado e R$ 15 mensais por aluno para completar a remuneração dos alfabetizadores. Em discurso de improviso, o presidente criticou a elite brasileira que, ao longo de séculos, segundo ele, usou a ignorância do povo como instrumento de dominação política. Para Lula, o problema de alfabetização no Brasil ?é muito menos de recursos, muito menos de salas de aula, ou de ausência de educadores e muito mais de disposição política?. Cristovam também recorreu à história, observando que o atual contigente de analfabetos brasileiros mostra que, tanto a abolição da escravatura, em 1888, quanto a independência, em 1822, ficaram incompletas. Analfabetos funcionais Apenas 25% dos brasileiros acima dos 15 anos têm domínio pleno das habilidades de leitura e de escrita, segundo pesquisa feita pelo Ibope. Isso significa que só um em cada quatro brasileiros consegue entender totalmente as informações de textos mais longos e relacioná-las com outros dados. De acordo com o levantamento, 38% dos brasileiros podem ser considerados analfabetos funcionais - não conseguem utilizar a leitura e a escrita na vida cotidiana. Desses, 8% são absolutamente analfabetos, e 30% têm um nível de habilidade muito baixo -conseguem apenas identificar uma informação simples em um só enunciado, como um anúncio. Outros 37% têm um patamar básico, capazes de localizar uma informação em textos curtos, como uma carta ou uma notícia. Para fazer a pesquisa, foi aplicado um teste com tarefas ligadas à leitura e à escrita. Além disso, os entrevistados responderam a um questionário. Em 2001 já havia sido feito um levantamento desse tipo, mas a oscilação está dentro da margem de erro. Uma das principais constatações da pesquisa é que o nível de analfabetismo funcional fica abaixo de 40% somente quando os anos de estudo passam de oito -nível fundamental completo. No estrato de um a três anos de estudo, o percentual dos que não têm condições básicas de alfabetização atinge 83%. O domínio pleno da leitura e da escrita só ultrapassa os 50% entre os que já completaram ao menos o nível médio (11 anos ou mais de estudo). O levantamento mostra uma tendência de queda no hábito de leitura entre 2001 e 2003. Houve diminuição, ainda que no limite da margem de erro, na leitura de jornais e livros. Na de revistas, ficou estável. Segundo a pesquisa, mulheres lêem mais que homens. A pesquisa é uma iniciativa de uma parceria da ONG Ação Educativa e do Instituto Paulo Montenegro (ligado ao Ibope).

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