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MST pede interven��o federal em conflitos rurais nos estados

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Brasília ? O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pediu ontem a intervenção do governo federal nas disputas agrárias e exigiu medidas concretas para extinguir ações de milícias armadas em todo o país. Pelas contas do movimento, 53 pessoas já foram assassinadas no campo desde o início do ano, contra 43 mortas em 2002. Os Estados citados pelo MST ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, como os que mais violam os direitos humanos no campo são: Pará, São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Segundo o movimento, neste ano ocorreram 32 despejos. Outros 60 estariam programados até dezembro. Uma possível ação do governo federal nesse sentido seria mais limitada, justificou o ministro ao MST, pois os Estados têm autonomia para gerir a questão agrária em seus territórios. Sobre as milícias armadas, Thomaz Bastos disse que está em curso na Polícia Federal um trabalho de monitoramento dos conflitos no campo. O ministro adiantou que um dos objetivos desse estudo é desarmar e punir os fazendeiros acusados de financiar grupos armados. Hoje o ministro conversou com o vereador de Belém Paulo Fontelles (PC do B), que pediu proteção da PF porque estaria sendo ameaçado por fazendeiros da região. Seu pai, que era advogado de trabalhadores rurais do sul do Pará, foi morto em 1987. O presidente nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dom Tomás Balduíno, disse ontem que é ?óbvio? que o assassinato de sete trabalhadores rurais e um fazendeiro na semana passada em São Félix do Xingu (PA) é resultado de conflito agrário, e defendeu a inclusão das mortes no balanço da Ouvidoria Agrária sobre conflitos no campo. A ouvidora agrária nacional substituta, Maria de Oliveira, afirmou ontem que esses homicídios no sul do Pará não têm ligação com a reforma agrária e não seriam incluídos no balanço. Dom Tomás Balduíno comparou a declaração da ouvidora à atuação do governo Fernando Henrique Cardoso que, segundo ele, usava critérios diferentes da CPT na contagem das mortes para reduzir o número de conflitos.

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