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ACM acusa Sarney de “golpe” e causa atrito

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Brasília ? A votação da reforma da Previdência na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado provocou críticas mútuas entre o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Os dois discutiram no plenário porque Sarney decidiu encerrar a ordem do dia, como queria o governo, para que a sessão da CCJ fosse retomada ? ela havia sido interrompida às 14h30, para o início da sessão ordinária. O regimento do Senado determina que as comissões devem encerrar seus trabalhos quando a ordem do dia é convocada. Trabalhando desde o início da manhã para retardar a votação da comissão, ACM classificou como ?golpe? a decisão ? que possibilitou votar o texto-base da reforma ainda ontem. ?Nunca vi isso em toda a história do Senado. Podem pesquisar nos anais. É um golpe da Mesa.? Diante dos protestos dos oposicionistas, Sarney retomou a Presidência para responder a ACM: ?O senhor me conhece há 14 anos e nunca fiz nenhum gesto para tolher qualquer senador?. Em seguida, Sarney disse ter consultado as lideranças dos partidos antes de determinar o encerramento da ordem do dia. Devido à pressão feita pela oposição, as lideranças das legendas aliadas resolveram assinar requerimento pedindo o fim dos trabalhos. ?O regimento tem muitas portas e janelas?, disse o relator da proposta na CCJ, Tião Viana (PT-AC). Logo após a suspensão, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), já dizia que seria possível votar o relatório ainda ontem. Desculpas recusadas À noite, ACM pediu desculpas a Sarney, que não aceitou. De acordo com o senador baiano, o episódio teve o aspecto positivo porque permitiu que o presidente da Casa recebesse expressões de amizade por parte dos congressistas que não concordaram com as críticas do senador. ?Preferiria não ter nenhum apoio dos que tive aqui e não ter ouvido a ofensa de Vossa Excelência?, disse Sarney. Segundo Sarney nenhuma motivação, ?nem as ofensas nem as injustiças?, o levariam a sair da conduta com que sempre pautou seu trabalho na administração da Casa. ?Minha convicção é que tinha unanimidade para que isso [encerramento da ordem do dia] fosse possível. O adiamento não é assunto inusitado. Tem sido feito muitas vezes e não havia por que eu julgasse que não fosse uma coisa acordada?. ACM disse ainda ser um dos maiores amigos e admiradores de Sarney, e que não teve a intenção de dizer que ele praticou um ?golpe?.

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