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ONU dever� enviar relator para inspecionar Judici�rio brasileiro
Brasília ? A ONU (Organização das Nações Unidas) deverá enviar um relator ao Brasil para inspecionar o poder Judiciário e o andamento de processos referentes à atuação do crime organizado. A informação foi dada ontem pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a relatora da ONU para execuções sumárias, Asma Jahandir. ?Ela vai recomendar à ONU o envio de um relator ao Brasil para fazer uma inspeção no poder Judiciário. O Judiciário brasileiro, com todo o respeito que temos a ele, não é o dos nossos sonhos. Nós precisamos reformá-lo?, disse Thomaz Bastos. Durante os 22 dias em que percorreu o Brasil em busca de informações sobre as execuções sumárias, Jahandir ficou impressionada com o que viu e ouviu. No domingo (5) e na segunda-feira (6), quando visitava o Rio de Janeiro, ela chegou a chorar ao ouvir o relato das mães de vítimas da violência policial. Jahandir, que é paquistanesa, deixou o país ontem fazendo muitas críticas à atuação policial, ao sistema prisional e à morosidade do poder Judiciário no julgamento de crimes praticados por policiais e grupos de extermínio. A relatora disse que considerou ?decepcionante? a conversa com autoridades estaduais e o fato de elas terem afirmado que ?está tudo bem? no Rio. ?Há funcionários do governo que olham nos meus olhos e dizem que está tudo bem?, criticou Jahangir, no penúltimo compromisso no Rio. Ela reprovou a falta de independência, a falta de dados ou a existência de informações conflitantes nos encontros com o secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, com a ouvidora de Polícia, Maria do Carmo Alves, e com o procurador-geral de Justiça do Estado, Antônio Vicente da Costa Júnior. ?Ou eles não entendem ou não têm sensibilidade para o que vem ocorrendo com os filhos do Rio?, afirmou Jahangir, em uma audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa. Jahangir sugeriu federalizar os crimes contra os direitos humanos para que eles passem a ser investigados pela Polícia Federal. De acordo com Bastos, o presidente se mostrou favorável à medida.