Nacional
Jos� Dirceu: fim das vacas magras s� em 2004
Brasília - Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar o fim das ?vacas magras?, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, adotou um discurso mais conservador e disse que as ?dificuldades? por que o país passa vão durar, no mínimo, mais nove meses. ?Se queremos um desenvolvimento sustentado de 5%, 7%, durante 10, 15, 20 anos, vamos passar por essas dificuldades que estamos passando. Não são só nove meses, não. É no mínimo o dobro. Sempre falei de 6 a 18 meses. Tem que falar isso com franqueza para a sociedade?, disse ele ontem, durante uma reunião com a bancada do Nordeste na Câmara. O ministro se referia às limitações de gastos do Orçamento (contingenciamento), aos juros altos e ao superávit primário (economia de receitas para pagamento de juros da dívida) de 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto) ?Nós queríamos governar, estamos governando, temos que governar. Isso significa fazer contingenciamento de R$ 14 bilhões, elevar juros a 26,5%, ter superávit de 4,25% e vai para o ano que vem?, afirmou o ministro da Casa Civil. Enquanto os deputados pediam investimentos para a região Nordeste, Dirceu insistia na escassez de recursos do governo federal. ?Emendas [liberação de recursos do Orçamento deste ano] e investimentos. A situação é muito difícil. Não vou pintar um cenário cor-de-rosa. Ainda estamos liberando emendas de 2002, e já estamos no dia 9 de outubro. Isso é fruto do contingenciamento e do superávit?, afirmou o ministro. Procurando passar também um pouco de otimismo, José Dirceu disse, ao final de seu discurso, ?ter certeza? de que o próximo ano será ?bom? e 2005, ?melhor ainda?. Segundo ele, serão R$ 7 bilhões para investimentos no ano que vem. ?Esse ano não sei se chega a R$ 3,5 bilhões, R$ 4 bilhões. Às vezes acho que é quase um milagre ter chegado até aqui.? Apesar de reconhecer a necessidade de reduzir os juros para o país crescer, ele afirmou que só isso ?não resolve o problema da economia brasileira, não vamos nos iludir?.