Nacional
Bird destinar� US$ 2 bi para programas sociais
Brasília ? O Bird (Banco Mundial) vai disponibilizar US$ 2 bilhões para os programas sociais brasileiros nos próximos seis anos. Desse total, US$ 1 bilhão será aplicado exclusivamente no programa Bolsa-Família, criado hoje pelo governo federal. O anúncio foi feito pelo vice-presidente do Bird para a América Latina, David de Ferranti, durante a solenidade na qual foi efetivada a unificação dos programas sociais do governo. O presidente do Bird, James Wolfensohn, participou da cerimônia, realizada no Palácio do Planalto, por meio de vídeo conferência. Ele não falou em recursos financeiros, mas elogiou as políticas do governo para o setor social. Para ele, as experiências brasileiras deverão servir de modelo para o mundo. ?Os programas do Brasil não são apenas para o Brasil, são para as Américas e para o mundo?, disse Wolfensohn. Ele declarou ainda que era uma honra ser parceiro do governo Lula, e ofereceu apoio técnico e financeiro. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, destacou a parceria ?bastante sólida? que o governo federal desenvolve com o Banco Mundial. Ele disse que está se concluindo um trabalho de programação para os próximos quatro anos na área social, que irá além do governo Lula. ?O programa de transferência de renda terá um lugar muito especial?, disse o ministro. A União disponibilizou R$ 4,3 bilhões para programas de transferência de renda neste ano, incluindo o Bolsa-Família. Até o final do ano, serão beneficiadas 3,6 milhões de famílias, sendo que 1,2 milhão estarão integradas ao novo programa ainda em outubro. Benedita da Silva A ministra da Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva, foi tratada como coadjuvante durante a solenidade de lançamento do cartão Bolsa-Família. Antes da cerimônia, ela e os demais ministros foram cumprimentados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ministra, cuja pasta trata justamente de programas sociais, como o Bolsa-Família, não ficou ao lado do presidente. Ficaram ao lado de Lula a primeira dama, Marisa Letícia, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, e a coordenadora do programa, Ana Fonseca. Benedita ficou no local reservado aos outros ministros, permanecendo calada e de cara fechada durante toda a solenidade. Lula somente tocou no nome dela no início do discurso, quando citou os ministros presentes. Enquanto acontecia o evento, ela olhou diversas vezes para o relógio. Ao final, saiu às pressas e não quis falar com os jornalistas. A ministra viajou à Argentina no último dia 25 de setembro para assistir a um encontro de grupos evangélicos em Buenos Aires. Na véspera, a assessoria de Benedita enviou um fax a autoridades daquele país para solicitar uma reunião de trabalho. Ela se hospedou em um dos hotéis mais elegantes, com diárias que variam de US$ 350 a US$ 1.030 dependendo do quarto. A viagem foi custeada pelo governo brasileiro. Na noite de sexta-feira (17), após sofrer críticas de vários setores do governo, do presidente do PT, José Genoino e do parecer da Comissão de Ética do governo recomendando a devolução do dinheiro, Benedita anunciou que depositaria o valor em juízo.