Nacional
Brasil ataca os EUA e Alca poder� ficar s� no papel
Brasília e Rio ? O Brasil partiu para o ataque, ontem, durante seminário no Congresso Nacional que aborda a questão da Alca (Área de Livre Comércio das Américas). O co-presidente do processo negociador da Alca, o diplomata brasileiro Adhemar Bahadian, afirmou que o processo de negociação da área de livre comércio está desequilibrado e que o projeto corre sério risco de não sair do papel. Para Bahadian, quando os Estados Unidos estabeleceram que a agricultura não pode ser tratada na Alca, e sim na Organização Mundial do Comércio (OMC), eles desencadearam um ?total rearranjo? do processo negociador. ?Com a retirada das negociações de um tema importante para o Brasil, o governo brasileiro não aceita discutir a liberalização de áreas sensíveis para a economia do país, como propriedade intelectual, regras de investimentos e compras governamentais, assuntos que interessam aos norte-americanos?, disse o diplomata brasileiro, para quem os Estados Unidos estão sendo ao mesmo tempo minimalistas em áreas sensíveis para eles e maximimalistas em áreas sensíveis para outros países. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, também falou em estagnação da Alca. Durante um seminário sobre o agronegócio no Hotel Glória, no Rio de Janeiro, ele declarou que, se a exclusão dos temas agrícolas for efetivamente exigida pelos Estados Unidos, as negociações para a formação da Alca terão um ?freio? em Miami. Lá, acontecerá, em novembro, a crucial reunião ministerial sobre o assunto. ?A agricultura é um ponto fundamental. Os EUA têm reiterado que não querem discutir as políticas de apoio interno aos agriculturoes enquanto o assunto não for tratado na OMC. E como houve uma frustração em Cancún (na OMC), há hipótese de freio na Alca?, disse o ministro. Ao ressaltar as dificuldades das negociações, o diplomata Adhemar Bahadian enfatizou que a Alca está sendo debatida há seis anos sem mostrar muita evolução, e que o governo brasileiro tomou posse há menos de um ano.