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�ndios provocam blecaute em quatro cidades pernambucanas

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Recife - Índios da tribo fulni-ô, de Águas Belas (305 km de Recife, PE), provocaram ontem um blecaute de cinco horas em quatro cidades da região, em protesto contra o uso de parte de suas terras pela Companhia Energética de Pernambuco Celpe). Os índios jogaram arames sobre dois cabos de alta tensão que cortam a reserva e bloquearam com um ônibus o acesso à subestação construída na aldeia. Com o curto-circuito, ficaram sem energia elétrica, além de Águas Belas, os municípios de Iati, Itaíba e Manari. Outras seis cidades próximas registraram problemas nas zonas rurais. O fornecimento, que foi cortado às 9h22 (10h22 em Brasília), só foi normalizado às 14h14, após a intervenção da Polícia Federal e de representantes da Funai (Fundação Nacional do Índio). Não houve confronto nem feridos. Reivindicação Os fulni-ô reivindicam o pagamento de indenização pela Celpe. Segundo o administrador da Funai em Pernambuco, Manoel Lopes Muniz, eles querem ser ressarcidos em R$ 427 mil, mas aceitam receber até R$ 300 mil. O diretor de gestão de ativos da Celpe, Gustavo Alencar, afirmou que a empresa recebeu autorização do governo para construir a subestação na aldeia, e que a tribo já foi indenizada, em 1985. Segundo ele, a autorização foi dada por meio de decreto presidencial, em 1986, cerca de dois anos após a implantação da obra. A indenização, disse, foi paga no dia 10 de julho de 1985. De acordo com Alencar, o então cacique João Francisco dos Santos Filho e o ex-pajé Julião Ferreira Júnior receberam da Celpe valor correspondente a 150 ORTNs (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional), um dos indexadores usados na época. O diretor da companhia afirmou que a empresa está disposta a conversar e que vai participar da reunião com a Funai e os índios na próxima segunda-feira. A tribo fulni-ô de Águas Belas é composta por cerca de 6.000 pessoas. A reserva possui aproximadamente 11,5 mil hectares.

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