Nacional
Brasil s� acaba crime prendendo poderosos
O presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos), o chileno José Zalaquett Daher, disse ontem que o Brasil só acabará com o crime organizado e com a violação dos direitos humanos quando os ?poderosos? forem para a cadeia. Ele está no país desde o último dia 24. Daher concedeu entrevista coletiva à imprensa no início da tarde, em Brasília, e deixou claro que veio ao país apenas para conhecer a realidade brasileira referente aos direitos humanos. Ele disse que não será apresentado nenhum relatório sobre sua visita. Daher já esteve em São Paulo e no Espírito Santo. Ele afirmou que gostou de saber que, em alguns casos, mandantes de crimes já estão sendo presos. Daher citou o caso do coronel Walter Ferreira, da Polícia Militar do Espírito Santo, acusado de ser o líder de uma facção do crime organizado no Estado. ?Muitas vezes os mandantes permanecem impunes e se castiga somente os autores materiais. É importante chegar aos mandantes, e isso já está acontecendo no Brasil. O país só poderá acabar com os crimes quando a sociedade compreender que a Justiça chega a todos. Não somente aos pobres e aos negros mas também aos poderosos?, afirmou Daher. Questionado se o governo brasileiro está combatendo com eficiência as violações dos direitos humanos, Daher disse que existe vontade política, mas cobrou outras medidas. Ele relacionou a necessidade da existência de um controle externo da polícia e do poder Judiciário, a profissionalização das polícias e uma cobrança permanente dos governantes pela sociedade civil. ?Em primeiro lugar é preciso ter consciência e vontade política. Mas não basta só vontade política. É importante que haja sempre uma sociedade civil e uma cidadania organizada e vigilante. As autoridades do Estado precisam ser constantemente exigidas?, declarou. Antes de presidir a CIDH/OEA, Daher dirigiu o Departamento Legal de Cooperação para a Paz no Chile. Expulso do país em 1976, ele entrou para a Anistia Internacional, da qual foi secretário-geral adjunto e presidente do Diretório Internacional.