Nacional
Macei� � a capital do NE com mais crian�as de 4 a 7 anos fora da escola
Rio ? O censo escolar de 2000, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirma Maceió como a capital nordestina que mais tem crianças na faixa de 4 a 7 fora da sala de aula. De 65.571 crianças, 18.509 (28%) não estão matriculadas. São Luís (MA) e Recife (PE) aparecem com o menor percentual ? 12%. Em São Luís são 67.947 crianças, com 8.744 fora da escola, e no Recife, de 98.395, apenas 12.340 estão sem estudar, de acordo com o sendo. No Brasil, o estudo do IBGE indica que, de um total de 13,3 milhões de crianças no grupo de 4 a 7 anos de idade, cerca de 4,1 milhões (31%) estão fora da escola. A cidade de São Paulo, por exemplo, tem 194.082 crianças desta faixa etária fora da escola, o que representa 28,57%. No Rio de Janeiro, o número é de 18,61%, o que em números brutos representa 65.944 crianças de um total de 354.338 de 4 a 7 anos fora das escolas. A capital que tem a pior relação é Rio Branco, onde 42% das crianças desta idade estão sem ensino. As demais capitais nordestinas com maior número de crianças no grupo de 4 a 7 anos fora da escola, pela ordem decrescente, são Salvador e João Pessoa ? 17%, Fortaleza ? 16%, Aracaju e Teresina ? 14%, Natal ? 13%. Os percentuais nordestinos são duplicados ou triplicados, além de Rio Branco, em capitais como Manaus (39%), Macapá (37%), Porto Velho e Palmas (35%). Situação ?perversa? O dado do censo escolar de 2000 classifica a situação da educação nacional como ?perversa?. De acordo com o instituto, 84% da população acima dos 5 anos é alfabetizada. ?16% é um percentual extremamente alto, o que equivale dizer que aproximadamente 24 milhões de brasileiros não possuem uma das condições básicas para serem cidadãos participantes de uma sociedade letrada. Esta parece ser uma forma de exclusão social, cuja base é a exclusão escolar?, afirma o texto do IBGE. O número de analfabetos, porém, pode se tornar até maior, se forem levados em conta que exatos 3.365.604 milhões de jovens entre 7 a 14 anos ainda estão em processo de aprender a ler e escrever. De qualquer forma, a taxa de analfabetismo no Brasil vem caindo consideravelmente em cada década. De 80 para 90, o número caiu de 25,1% para 16,7%. Em números reais, representa que em 91, o número era de 32.706.394 e hoje é de 25.632.265, mostrando que apesar do aumento da população, o índice de analfabetismo caiu. O problema na educação no Brasil não se restringe apenas ao número de analfabetos. Ainda segundo o IBGE, há uma defasagem na relação idade/série, principalmente depois dos 15 anos. Entre 15 e 17 anos, faixa onde o estudante teria que estar no Ensino Médio (antigo colegial), mais da metade (55%) ainda se encontra no Fundamental (antes chamado de primário). Aqueles que estão entre 18 e 19 anos, idades em que o aluno deveria estar no pré-vestibular ou graduação, 49% (1.756.583) estão no Ensino Médio, 34% no Fundamental e somente 17% se encontram no curso superior ou é vestibulando. Outro detalhe nesta faixa etária: apenas 50% ainda está estudando. Já os estudantes que têm entre 20 a 24 anos, 37% (1.477.757) estão no Ensino Médio, 31% na graduação e 27% ainda no Ensino Fundamental. Neste grupo, somente 25,2% do total dos cidadãos ainda freqüenta alguma escola ou universidade. Segundo os dados da década de 90, 44% da população só concluiu até a 3ª série do Ensino Fundamental, quase um terço da população da área rural não teve acesso à educação; um quarto da população rural não tem escolaridade ou quando a tem não ultrapassa a um ano de estudo. Tempo de estudo A pesquisa do IBGE mostra, ainda, que o brasileiro permanece menos tempo que o necessário nas escolas. Enquanto o mínimo exigido na educação básica é de 11 anos, o estudante só fica, em média, de 4 a 7 anos. Do total, 18% tem ou teve os anos de estudo necessários para uma formação básica. Enfim, é bem provável que o número de pessoas que não sabem ler nem escrever seja maior que os 25 milhões anunciados pelo IBGE. Para tentar erradicar o problema no País, o atual governo criou o Programa Brasil Alfabetizado. O Ministério da Educação (MEC) vem implementando, ainda, várias frentes, como a educação de jovens acima de 15 anos e adultos que, por alguma razão, não foram à escola. ?O MEC está implementado um conjunto de ações para a ampliação da oferta, para recuperação e melhoria da escola pública e para valorização do professor, tais como apoio técnico e financeiro aos sistemas de ensino e elaboração e distribuição de material didático?, diz a página do ministério.