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Nº 5718
Nacional

Fome resulta da m� distribui��o de renda, diz especialista da FAO

Campinas (SP) – A fome na América Latina está atrelada à  péssima distribuição de renda,  à falta de estratégias de desenvolvimento rural e a problemas  institucionais. A afirmação foi  feita ontem, em Campinas, pelo subdiretor-geral e representante regio

Por | Edição do dia 03/04/2002 - Matéria atualizada em 03/04/2002 às 00h00

Campinas (SP) – A fome na América Latina está atrelada à  péssima distribuição de renda,  à falta de estratégias de desenvolvimento rural e a problemas  institucionais. A afirmação foi  feita ontem, em Campinas, pelo subdiretor-geral e representante regional para a América Latina e Caribe da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Gustavo Gordillo. Investir nesses três itens, disse Gordillo de Anda, é criar um novo contrato de cidadania para a população dos países pobres. Ele e outros especialistas participaram ontem do primeiro dia de debates do seminário internacional Políticas de Segurança Alimentar, Combate à Fome e à Pobreza Rural, organizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pelo Instituto da Cidadania. A fome na América Latina e as experiências de países do continente americano sobre segurança alimentar concentraram as discussões do primeiro dia do evento, que será encerrado hoje. O subdiretor da FAO lembrou que a América Latina não é o caso mais grave de fome no mundo. Ásia e África enfrentam situações mais críticas. Por outro lado, a AL é o local em que há a pior distribuição de renda. Brasil O representante no Brasil da FAO, professor José Tubino, lembrou que a diferença de renda entre os brasileiros mais pobres e os mais ricos é de 33 vezes, enquanto na Europa a média é de 7 vezes. “A pobreza é produto da ação humana. É possível eliminá-la”, afirmou Gordillo de Anda. Os países da América Latina e Caribe são classificados pela FAO em cinco grupos. No primeiro estão os que têm menos problemas com a fome, como Argentina e Uruguai. No último, os de situação mais grave, como Haiti, Guatemala, Nicarágua, Equador e Bolívia. O Brasil está no grupo três. “É um país subcontinente, com diferenças regionais e sociais”, disse Tubino. Programas O professor acrescentou que mesmo o Estado mais rico do País, São Paulo, tem graves problemas de fome e pobreza, personificados principalmente por migrantes com renda muito parecida com a que tinham antes de migrar. Ele ressalvou, porém, que os programas sociais desenvolvidos no Estado são muito importantes no combate à miséria. Os projetos federais, como o Bolsa-escola, também receberam elogios do representante da FAO. Ele recomendou que se intensifique e garanta a continuidade desses programas, que devem ser de longo prazo. “O Brasil é o país da América Latina com maior número de pobres, em números totais”, afirmou. Tubino também apontou como medidas de combate à fome o desenvolvimento agrícola e a correlação entre o salário mínimo e a cesta básica. Ele defendeu que o esforço dos agricultores para ampliar a exportação deve ser aplicado, na mesma proporção, para melhorar a quantidade e qualidade dos alimentos no mercado interno.

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