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Partidos enfrentam guerra para definir l�deres

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A poucos dias do encerramento do ano, os principais partidos se vêem em meio a disputas internas motivadas pelas eleições para definir os novos líderes na Câmara e no Senado. O cargo é almejado porque oferece a quem o ocupa, além de visibilidade garantida, poder de decisão dentro do parlamento. Até agora, pelo menos dois partidos já enfrentam problemas por causa da renovação nos quadros, prevista oficialmente para fevereiro: PFL e PPS prometem disputas acirradas. O que pode se repetir no PSB e PMDB, a depender da reforma ministerial. Na semana passada, os caciques do PFL tiveram que entrar em campo para evitar um racha na bancada da Câmara. Na tentativa de permanecer no cargo por mais um ano, o deputado José Carlos Aleluia (BA) convocou os pefelistas para uma reunião de emergência, na qual tentaria antecipar a eleição, prevista para fevereiro. Ao tomar conhecimento da manobra, alguns parlamentares, liderados pelo deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), acusaram Aleluia de ?golpe? e ameaçaram provocar um racha no partido. O incêndio só foi apagado depois da intervenção de lideranças do PFL, como o presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), e dos senadores Marco Maciel (PE), José Agripino (RN) e Antonio Carlos Magalhães (BA). Depois de uma ?overdose de conversa?, nas palavras de Aleluia, chegou-se a um entendimento. ?Foi um ano muito tumultuado. Vamos deixar para resolver isso em janeiro?, argumentou Bornhausen. ?Achei que seria bom definirmos o líder no mês de janeiro, mas, em nome do entendimento, decidiremos isso depois?, concluiu o atual líder. Capital baiana Por trás da disputa pela liderança do PFL na Câmara está a eleição para a prefeitura da capital baiana. Aleluia e ACM Neto disputam a indicação do partido para a vaga e estar na liderança da legenda significa se cacifar para isso. Tanto que Aleluia decidiu por antecipar a discussão sobre a eleição do novo líder, depois que ouviu comentários de que o deputado Paulo Magalhães (BA), neto de ACM, estaria coletando assinaturas na bancada para retirá-lo do posto. Magalhães nega a acusação e ACM Neto a intenção de ocupar a vaga de Aleluia. ?Não há a menor hipótese de eu concorrer à liderança. Mas, com certeza, no ano que vem alguém vai disputar com ele?, disse ACM Neto. Nos bastidores, comenta-se que a estratégia do grupo carlista é minar o poder de Aleluia, mesmo se para isso tiverem que colocar no lugar dele um nome pelo qual não tenham tanta afinidade. O deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ) prevê uma disputa acirrada. ?Não temos problemas de ir para o voto?, avisou. É também disputa por poder político que provoca movimentações nos bastidores do PPS. No entanto, neste caso, o mal-estar não é reflexo das eleições municipais do próximo ano, mas fruto de uma briga entre os dois maiores nomes do partido no cenário nacional. O racha entre o atual líder, deputado Roberto Freire (PE), e o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, deve resultar na disputa pela vaga do deputado pernambucano em 2004. A intenção do ministro é indicar um aliado que possa minimizar as críticas que Freire tem feito ao governo Lula. Já o deputado quer manter a independência da legenda frente ao Planalto. Para Freire, entretanto, será difícil Ciro conquistar este objetivo. ?Se quiser fazer isso vai dar com os burros n?água. A bancada não vai se prestar a esse papel, pois da forma como estamos agindo conquistamos o respeito da sociedade. Se alguém ficar pensando que vai fazer o atrelamento ao governo vai prestar um desserviço ao PPS e até ao governo. O governo já tem muitos áulicos?, disse. No PPS é regra o mandato do líder durar apenas um ano, por isso Freire não será reconduzido. Consenso O mais provável, segundo o deputado Nelson Proença (RS), é que o novo líder obedeça a pelo menos uma pré-condição: ?Se dar bem tanto com Ciro Gomes quanto com Roberto Freire?. Além disso, é consenso entre os 21 deputados do PPS que o nome deve sair de uma decisão da própria bancada e não sofrer interferências partidárias. O clima de disputa que impera no PPS e PFL pode se repetir no PMDB, segundo maior partido da Câmara, a depender da reforma ministerial. Como é cotado para ser ministro, o atual líder, deputado Eunício Oliveira (CE), pode deixar a vaga em aberto, o que abriria espaço para o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP). Mas se a indicação não se confirmar poderá haver disputa. Uma indicação disso é que Eunício já tem uma lista com 66 assinaturas apoiando sua recondução. ?O PMDB não está discutindo isso agora. Não tem sentido adiantar esta discussão?, afirmou Eunício. Mais tranqüila No PSB, a decisão deve ser mais tranqüila. O deputado pernambucano Eduardo Campos deverá ser reconduzido à liderança do partido, cargo que já ocupou por dois anos não consecutivos. Mudanças neste roteiro podem acontecer, no entanto, assim como no PMDB, em conseqüência da reforma ministerial. ?Discussão só em fevereiro. Não se sabe o que virá com a reforma ministerial, então, por enquanto, não há nada, está tudo em compasso de espera?, contou o vice-líder do partido, deputado Beto Albuquerque (RS).

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