Nacional
ONS eleva risco de racionamento no Nordeste
O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) elevou o nível de risco de racionamento de energia para a região Nordeste para continuar utilizando as usinas térmicas emergenciais, normalmente acionadas quando o nível dos reservatórios está abaixo da curva de risco. A medida foi necessária porque a geração de energia térmica a gás natural estava muito abaixo da prevista, o que fazia com que a curva refletisse o risco real de racionamento na região. Segundo o diretor-presidente do ONS, Mário Santos, a baixa geração de energia a gás indicava a necessidade de uma curva mais alta. O operador decidiu elevar a curva de risco provisoriamente de 21,81% (em vigor na quinta-feira) para 28,65%, índice que valerá até o dia 5 de março. Isso porque o nível dos reservatórios começou a ficar superior à curva esta semana, mas essa aparente melhora não reflete a realidade da situação do abastecimento de energia na região. A curva definitiva será fixada após processo de consulta pública realizado pela Aneel. O ONS realizou testes a pedido da agência com a disponibilidade de energia das usinas térmicas a gás (mais baratas que as emergenciais) e verificou que apenas 409 MW médios poderiam ser de fato gerados devido aos problemas no fornecimento de gás natural pela Petrobras, longe portanto dos 1.195 MW considerados no planejamento que produziu a curva atual. A expectativa do ONS é a de que o nível dos reservatórios fique em torno de 23%, cerca de 5 pontos abaixo da nova curva. Diante desse novo cenário, o órgão poderá continuar a acionar as usinas térmicas emergenciais para gerar aproximadamente 243 MW médios esta semana. Outros 414 MW deverão ser gerados pelas térmicas a gás, 3.540 MW pelas hidrelétricas, e a região ainda precisará receber 1.874 MW médios provenientes de intercâmbios do Sudeste e Norte para abastecer uma carga prevista (consumo) de 6.071 MW. De acordo com a Aneel, a utilização das térmicas emergenciais com a alteração na curva de risco não irá representar aumento nas tarifas de energia cobradas dos consumidores. A agência informou que o custo adicional com a compra dessa energia é de responsabilidade das empresas que não cumpriram com os compromissos contratuais de fornecimento de energia, no caso, as térmicas a gás, que, por sua vez, deverão reclamar o cumprimento dos contratos de abastecimento de gás com a Petrobras.