Nacional
MP pede pris�o de ex-presidente do Banco Central
Rio de Janeiro - A Justiça Federal recebeu um relatório com as conclusões sobre a operação de socorro do Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam, em 1999. No relatório, o Ministério Público (PM) pede a prisão de 11 pessoas, entre elas, o ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes. Segundo a informação divulgada, ontem à noite, no Jornal Nacional, da Rede Globo, o documento enviado à Justiça Federal contém as alegações finais da acusação, uma espécie de resumo de tudo que foi levantado pelo Ministério Público em relação ao caso envolvendo o Banco Central e os bancos Marka e FonteCindam. A entrega das alegações finais marca o fim do trabalho do MP depois de quatro anos e dez meses de investigações. O documento, que tem 394 páginas, pede a condenação de Lopes, do ex-banqueiro Salvatore Cacciola e de mais nove pessoas, Cláudio Mauch, Demósthenes Madureira de Pinho Neto e Tereza Grossi, ex-diretores do Banco Central, e, ainda, Alexandre Pundek, Cínthia Costa e Souza, Luiz Antonio Gonçalves, Roberto José Steinfeld, Luiz Bragança e Rubem Novaes. Eles foram denunciados por crimes contra o sistema financeiro, peculato, que é desvio de dinheiro público, e corrupção passiva e ativa. Cacciola está foragido no exterior. Em 2000, o ex-dono do Banco Marka passou um mês na cadeia, mas teve a liberdade autorizada pela Justiça. Ele é acusado de ter comprado dólares no Banco Central a preços abaixo da cotação de mercado, quando o real sofreu uma grande desvalorização em 1999. Na época, o presidente do Banco Central era Francisco Lopes, suspeito de ter facilitado a operação de socorro aos bancos Marka e Fontecindam. Segundo uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investigou o caso, o prejuízo para os cofres públicos foi de R$ 1,5 bilhão. Nesta quarta-feira, o advogado de Francisco Lopes disse que não há provas contra o ex-presidente do Banco Central e que espera a absolvição. ?O professor Francisco Lopes está acima de qualquer tipo de suspeita de corrupção, especialmente. Ele jamais poderia ser alvo até mesmo de uma investigação nesse sentido?, argumentou o advogado João Mestieri. Os acusados terão dois meses para apresentar suas defesas. Se forem condenados, podem pegar entre três e 12 anos de prisão.