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Carlinhos Cachoeira dep�e na PF e se nega a falar sobre Waldomiro
Brasília (Agência Folha) - Acompanhado de cinco advogados, o empresário do bingo Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, reiterou, em depoimento à Polícia Federal, o mesmo que afirmou dias antes ao Ministério Público Federal. Com isso, não foram acrescentados detalhes ao inquérito que investiga crime de corrupção supostamente praticado por Waldomiro Diniz, ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil. Ao ser questionado sobre a gravação de um vídeo no qual Waldomiro lhe pede propina de 1% sobre doações eleitorais, Cachoeira disse que só se manifestaria a respeito do assunto à Justiça. Waldomiro deve depor hoje, às 9h30. Será a primeira aparição pública do ex-assessor do ministro José Dirceu desde o dia 13 de fevereiro, quando a divulgação do vídeo jogou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva em sua primeira grande crise política. O ex-subchefe da Casa Civil vai depor em dois inquéritos diferentes. O primeiro investiga sua gestão durante a presidência da Loterj (Loterias do Estado do Rio de Janeiro) e o segundo versa sobre corrupção enquanto Waldomiro atuava como funcionário do Planalto. O clima do depoimento do empresário foi tenso e Cachoeira não falou a jornalistas nem ao entrar nem na saída do prédio da PF em Brasília. Apesar de não revelar o teor dos depoimentos, o delegado César Nunes mandou um recado a Waldomiro. ?Espero que ele fale, de certa forma [se ficar calado] corrobora as acusações?, disse. O empresário goiano Carlos Roberto Martins também prestou depoimento ontem. Cachoeira foi ouvido pelo Ministério Público Federal na madrugada do dia 18 para o dia 19 de fevereiro. Afirmou, na ocasião, ter sido ?extorquido? por Waldomiro e confirmou o relacionamento dos dois durante a renegociação do contrato entre a CEF (Caixa Econômica Federal) e a empresa GTech do Brasil. Tanto o banco estatal quanto a empresa, responsável pelo controle do sistema lotérico do país por meio de um contrato milionário com a Caixa, negam irregularidades no contrato, renovado por 25 meses em abril. A PF, porém, suspeita que Waldomiro tenha exercido tráfico de influência nos primeiros meses do ano passado para que o contrato fosse renovado por prazo tão longo. Investigações O delegado Nunes espera ouvir, ainda nesta semana, o ex-presidente da GTech do Brasil, Antonio Carlos Lino Rocha, e o ex-diretor de marketing da empresa, Marcelo Rovai, com quem Waldomiro teria se encontrado no início do ano passado em um hotel luxuoso de Brasília.