Nacional
Come�a a busca por corpos de guerrilheiros do Araguaia
Xambioá, TO, (Agência Folha) - O secretário nacional dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, disse esperar que ex-militares dêem novas informações de locais onde possam estar enterrados desaparecidos políticos do regime militar (1964-85). A afirmação foi feita em Xambioá (502 km de Palmas), no Tocantins, onde Nilmário acompanhou ontem o início de trabalho de peritos enviados por sua secretaria para localizar corpos de integrantes da guerrilha do Araguaia que podem estar no local. A guerrilha foi um movimento armado de integrantes do PC do B que atuou na divisa de Tocantins (na época, Goiás) e Pará e no Maranhão. Foi combatida e derrotada pelo Exército entre 1972 e 1975. Segundo o Ministério da Justiça, 61 pessoas desapareceram. Pela manhã, o grupo de peritos, composto por três antropólogas argentinas, um geólogo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e o geneticista Luís Antônio Ferrira da Silva,do Laboratório de DNA da Universidade Federal de Alagoas, ficou no local e iniciou os preparativos para a possível localização. Uma área de 500 m2 foi isolada. Dentro, podem estar os corpos de quatro guerrilheiros, entre eles, um líder, Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão. As escavações em busca dos corpos só seriam iniciadas após laudo de um radar , que deve começar a ser utilizado hoje. Dois ex-soldados das Forças Armadas, Josean Soares e Raimundo Pereira, compareceram à área para indicar onde os corpos podem estar. Em depoimento à Procuradoria da República do Pará, Pereira confirmou a versão de alguns familiares e camponeses segundo a qual alguns guerrilheiros foram mortos fora de combate, já rendidos, por militares. O ex-militar afirma que, mesmo antes de ir para Xambioá, os militares aprendiam técnicas de tortura.