Nacional
Proposta de reajuste desagrada servidores
Brasília, DF (Agência Folha) - O governo pretende conceder um reajuste salarial linear inferior a 2,67% retroativo a janeiro e gratificações diferenciadas para os servidores públicos que ganham menos. Os servidores querem um reajuste de 127% e pretendem entrar em greve a partir de abril. Ontem, o governo e os servidores se reuniram, mas o secretário de Recursos Humanos, Sérgio Mendonça, apenas ouviu. Segundo ele, no próximo dia 30 o governo dirá qual é o percentual de reajuste linear para este ano. A Constituição obriga que o governo faça essa previsão todo ano. Segundo Mendonça, o governo vai trabalhar apenas com o R$ 1,5 bilhão que já está no Orçamento de 2004. A reivindicação dos servidores custaria R$ 71,3 bilhões. ?O que eles [governo] querem conceder não significa nada. O percentual de 127% apenas reporia as perdas que tivemos nos últimos anos?, disse o secretário-geral da Condisef (Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal), Gilberto Jorge. Mendonça explicou que do 1,1 milhão de servidores que têm direito a reajuste, cerca de 900 mil seriam beneficiados com a proposta do governo. ?Dentro desse total, algumas categorias poderiam ganhar até 20% de aumento?, afirmou. Os servidores aposentados também teriam um reajuste diferenciado dos ativos. O secretário disse que entre os 200 mil que teriam apenas o reajuste linear muitos já tiveram outros reajustes ao longo de 2003 ou estão negociando outras coisas. Esse é o caso, por exemplo, das categorias que estão em greve agora como a Polícia Federal e os fiscais agropecuários. Além do reajuste linear, existem recursos no Orçamento para a realização de concursos públicos e promoções de carreira. Ao todo, a folha de salários deve aumentar R$ 6 bilhões neste ano. Gilberto Jorge afirmou que a melhoria salarial no serviço público deveria ser considerada um investimento pelo governo. ?O presidente Lula tem dito que existe dinheiro para investimentos?, disse. No próximo dia 18, os servidores vão definir o dia para o início da greve.