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Reajuste do sal�rio m�nimo mobiliza Congresso

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Brasília, DF (Agência Nordeste) - Com a proximidade de maio, mês em que tradicionalmente é concedido o reajuste do salário mínimo, o governo federal ganha uma nova preocupação. A oposição, com a ajuda de alguns governistas, promete colocar na ordem do dia a discussão sobre o reajuste no salário mínimo. Todos cobram o cumprimento da promessa de campanha do presidente Lula de dobrar o valor real do salário mínimo até o final de seu mandato. O Orçamento da União para este ano prevê, no entanto, um índice de reajuste de 7,92%, o que não garantiria aumento real. Segundo o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, o anúncio do reajuste será feito em abril, a exemplo do que aconteceu em 2003 e garante que o novo valor será o máximo possível para melhorar o poder de compra do trabalhador, porque o objetivo do governo é garantir que o percentual de aumento fique sempre acima da inflação. No entanto, Berzoini avisou que a compatibilidade com o Orçamento será fator determinante na definição do reajuste. No Congresso Nacional, o primeiro movimento para forçar o governo a tratar do assunto partirá do próprio PT. O vice-presidente do Senado, Paulo Paim (RS), é autor de um projeto de lei que garante ganho real de R$ 0,20 por hora ao mínimo, além do reajuste pelo Índice Geral de Preços (IGP-DI). O projeto já foi aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa e precisa ser votado pelo plenário. Por estas regras, o mínimo passaria dos atuais R$ 240 para R$ 310 no dia 1º de maio. O PFL, que detém a terceira maior bancada no Congresso, vai manter a defesa pela equiparação do salário mínimo a US$ 100. Na cotação de sexta-feira, o valor ficaria em R$ 290. O PDT, que em 2004 engrossou as fileiras da oposição, também está com o discurso na ponta da língua. A avaliação no partido é a de que o salário mínimo é a melhor forma de distribuição de renda no País e, portanto, se o governo quer ter como marca a justiça social, não poderá fugir de elevar seu valor. Os tucanos falam em reajustar o valor do mínimo para R$ 300 e para tanto apóiam o projeto de lei do deputado Alberto Goldman, que define reajuste de 25% em relação ao valor atual. No Planalto, a discussão sobre o reajuste do salário mínimo ainda está sendo tratada com sigilo. Mas, de acordo com um colaborador do presidente Lula, é fato que se houver queda acentuada na popularidade do presidente ? motivada pelas denúncias envolvendo Waldomiro Diniz e os índices de desemprego subindo ? o governo pode optar por conceder um aumento real para o mínimo, mesmo que isso provoque um rombo nas contas da Previdência. Já está definido também que o aumento será superior aos 7,29% previstos no Orçamento da União. Para não ser acusado de agir eleitoralmente, o governo reservou R$ 3,6 bilhões nas despesas da Previdência caso decida elevar o mínimo para cerca de R$ 280 em 1º de maio. Mas a sobra pode ter que ser usada nas despesas com o passivo dos aposentados do INSS por causa dos planos econômicos.

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