Nacional
FAB tem primeira mulher a voar sozinha
Pirassununga, SP, (AE )- Fernanda Görtz, de 20 anos, é a primeira mulher da Força Aérea Brasileira (FAB) a voar sozinha. Ontem, às 11 horas, entrou para a história da aviação nacional ao decolar da base da academia, em Pirassununga. Passou 45 minutos no ar. E, após os cumprimentos aos oficiais, foi recebida pelas colegas com um velho costume dos cadetes: o corredor polonês. ?Se é assim que fazem com os meninos, porque não fariam comigo??, perguntou ela, ainda molhada, depois de passar no meio das amigas enfileiradas que a estapearam e jogaram na piscina. Ajeitou o cabelo para sair da água e foi se trocar. Fernanda contou que havia passado uma noite de insônia. Dizia-se exausta, porém aliviada. Mais do que a responsabilidade de ser a primeira mulher a voar sozinha, a sensação de estar só lhe afligia. Dessa vez, não poderia errar. Sabia todos os comandos, todos os protocolos. Mas não conseguiu se imaginar de pé na asa esquerda do avião, com o capacete entre os braços - pose clássica dos cadetes recém-batizados. Ontem ela fez o gesto. O pai, Júlio Moreira Görtz, de 49 anos, também aviador, estava lá para ver o primeiro vôo de Fernanda. Com a filha, Görtz relembrava seus primeiros passos, antes de tornar-se comandante da Varig em vôos internacionais. Há 31 anos, ele entrava na academia militar de Barbacena (MG). Fernanda é uma das 20 cadetes que ingressaram na academia no ano passado. No final de 2002, houve o primeiro concurso que admitia a participação de mulheres. Em 2003, teve de estudar duro as matérias teóricas. Passou pelas mesmas baterias de exercícios físicos que seus 157 colegas homens. No dia 10 de fevereiro, subiu pela primeira vez no avião militar de instrução T-25, o Universal. O modelo, desenvolvido no País no final da década de 60, veio para substituir o velho North American T-6. Naquele primeiro vôo, ela tinha um oficial ao seu lado, para lhe ensinar os comandos. Repetiu as decolagem mais 12 vezes, em dias alternados, com níveis de dificuldades cada vez maiores.