Nacional
MP vai investigar juiz acusado de beneficiar Naya
Rio (AE) - O relator do processo contra o juiz Alexander Macedo, desembargador Paulo Gustavo Rebello Horta, pediu afastamento ontem do caso, que investiga erros de Macedo na condução do processo de indenização dos ex-moradores do Palace 2. O edifício desabou em fevereiro de 1998, matando oito moradores. Os advogados das vítimas da queda do edifício descobriram que o filho do desembargador, Júlio Horta, hoje procurador-geral do município, atuou como advogado do empresário. Além disso, a filha de Macedo trabalha como assessora de Júlio Horta. O juiz Alexander Macedo, acusado de beneficiar Naya em prejuízo do pagamento das indenizações aos ex-moradores do edifício Palace 2, pode ter de responder por crimes contra a administração pública, como corrupção passiva e concussão (corrupção praticada por funcionário público). O juiz é suspeito de manter ligação estreita com Naya, conforme mostram documentos apreendidos pela Polícia Federal. O procurador geral do Estado, Antônio Vicente da Costa Junior, irá analisar os papéis encontrados com ex-deputado (duas agendas, de 2003 e 2004, e anotações soltas) quando ele foi preso, em Porto Alegre, no último dia 15, para então decidir se irá ou não propor ação pública contra o juiz. Os documentos indicam que Macedo tinha relação próxima com Sebastião Bucar Nunes, funcionário de confiança de Naya. Num deles, está escrito que ele pediu dinheiro a Naya para se hospedar num hotel próximo de onde Macedo mora. Entregues pela PF ao juiz Cairo Ítalo David - responsável pelo processo em que Naya é acusado dos crimes de falsidade ideológica e falsificação de documentos durante o processo principal, conduzido por Macedo - e encaminhados ao presidente do TJ, Miguel Pachá, os papéis passarão por exames periciais que irão atestar sua veracidade. Segundo anotações, em pelo menos uma reunião e um jantar, que teriam ocorrido em janeiro, aos quais também teria comparecido o liqüidante judicial, Ubiratan José de Miranda Costa, Macedo, então juiz substituto da 4ª Vara Empresarial, informava a Nunes antecipadamente decisões que tomaria em relação ao processo de liqüidação dos bens de Naya para o ressarcimento das vítimas. O magistrado liberou para Naya parte dos bens, apesar de eles estarem bloqueados pela Justiça. O promotor Rodrigo Terra quer que as vendas sejam anuladas para que os pagamentos sejam finalmente feitos. As famílias que moravam no Palace 2 esperam pelo dinheiro há seis anos. O MP vai investigar também se Macedo incorreu em crime de improbidade administrativa. O órgão já solicitou informações sobre o caso ao Tribunal de Justiça, ao qual Macedo enviou uma declaração em que rebate todas as denúncias.