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MST vai continuar a pressionar

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Brasília - A pedido do relator da Comissão Parlamentar Mista (CPMI) da Terra, deputado João Alfredo (PT-CE), o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, analisou ontem a política de reforma agrária do governo nos últimos anos e afirmou que vai continuar a pressionar o governo para que seja atingida a meta de assentar 400 mil famílias até o final de 2006. Ele narrou que o MST fez um acordo político com o governo em novembro do ano passado que definiu a meta. Porém, no ano passado, informou, apenas 14 mil famílias foram assentadas em áreas já desapropriadas pelo governo anterior e este ano, mais 7 mil. ?Como vamos atingir a meta? Não vamos conseguir. O MST tem claro que seu papel é mobilizar e organizar o povo. As mudanças só acontecem quando o povo se organiza, é um direito constitucional. Para cumprir a meta, que é uma promessa, o papel do MST é acampar 400 mil famílias e o do governo é assentar 400 mil?, resumiu. Stédile explicou, também, a declaração ?abril vermelho?, utilizada por ele em Campo Grande. Segundo ele, era no sentido de que todos os movimentos sociais, daqui até 1º de maio, devem ?recuperar as bandeiras vermelhas e organizar a manifestação de um grande 1º de maio, para debater o problema do desemprego, que é o mais grave?. Quanto à expressão ?infernizar?, também utilizada por ele em Campo Grande, disse que a usou no sentido de ?pressionar?, ?azucrinar?. Ele lembrou que foi chamado a discursar ?para animar a turma?, referindo-se aos participantes de uma reunião de movimentos sociais. João Pedro Stédile disse, ainda, que se não existisse o MST, ?o meio rural já teria virado um barril de pólvora como a Colômbia?. ?A sociedade brasileira sabe que, se não fosse o movimento dos sem-terra, de recuperar os pobres para a civilidade, o meio rural já teria virado um barril de pólvora como a Colômbia?, afirmou. Ele fez essa declaração ao sustentar que o MST é contra a violência e pediu desculpas pelas declarações do líder do movimento em Pernambuco, Jaime Amorim, que disse que, para cada militante morto haveria dez mortos do outro lado. ?Peço desculpas se alguém ficou agredido pelas palavras de Jaime?, disse, ressaltando, porém, que compreendia a circunstância da declaração, pela tensão que havia num acampamento que estava em vias de ser despejado. ?A linha do movimento é que nós somos contra o uso da violência para resolver os problemas sociais?, assegurou o líder.

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