Nacional
Renan articula para derrubar reelei��o de Sarney no Senado
O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), disse ontem trabalhar para derrubar a emenda constitucional que permite a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado. Ele, no entanto, afirmou que o PMDB não deixará a base governista, mesmo que o PT decida apoiar a reeleição. A Câmara deve votar a emenda em plenário nesta quarta-feira. Caso seja aprovada, os presidentes da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), teriam caminho livre para serem reconduzidos ao cargo em 2005. Calheiros disse que sua candidatura à presidência do Senado é ?irreversível?, independentemente do resultado da votação da emenda amanhã. O líder do PMDB, que cancelou viagem a Paris (França) nesta semana, para tentar barrar a aprovação da emenda, também distribuiu carta a todos os deputados apresentando argumentos contra a reeleição. ?Se você muda a Constituição para beneficiar alguém que está ocupando o cargo, torna a mudança um casuísmo?, disse. O PMDB deve manter a presidência do Senado no próximo ano por ter a maior bancada na Casa e por ter um acordo com o PT que garante ao partido de Lula a presidência da Câmara. Entretanto, caso não haja acordo entre Sarney e Calheiros, a presidência do Senado poderia cair nas mãos de um senador da oposição, como Tasso Jereissati (PSDB-CE). Esse cenário é o mais temido pelo governo, que já possui uma maioria frágil no Senado. Calheiros, entretanto, negou que o PMDB possa deixar a base governista, enfraquecendo Lula, caso ele seja derrotado. ?O PMDB tem preocupação com a governabilidade, com a situação do governo no Congresso, com o país. E esse compromisso será levado adiante?. Também negou que possa aceitar alguma compensação do governo para chegar a um acordo com Sarney. ?Essa coisa de ser ministro, eu não cogito, não quero?. O PT deve reunir a bancada hoje para definir uma posição sobre a emenda. Segundo Calheiros, a tendência é de que o partido não feche questão, liberando a cada deputado a decisão sobre como votar. O líder do PMDB também acredita que, além de seu partido, o PSDB e o PPS devem votar, na maioria, contra a reeleição. Para sua aprovação, é necessário o voto favorável de 308 deputados e 49 senadores. ?Sempre achei muito difícil passar pela Câmara e quase impossível pelo Senado?, disse Calheiros.