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Dom Mauro defende ONG suspeita de fraude

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Apesar de admitir que há ?pecados? na Ágora, o bispo de Duque de Caxias (RJ), Dom Mauro Morelli, acusou ontem as empresas de comunicação e o Ministério Público de tentarem transformar a ONG (organização não-governamental) em um ?monstro?. A Ágora, cujo atual presidente é amigo do presidente Lula, é acusada pelo Ministério Público de usar notas fiscais frias para justificar o gasto de recursos públicos federais. Dom Mauro, que ocupou a presidência da ONG entre os anos de 1996 e 1999, disse por meio de uma nota que no último domingo (23) assistiu ?estarrecido? a um programa de televisão a respeito do caso. ?A Ágora foi transformada em um novo monstro e seu presidente, o empresário Mauro Farias Dutra, uma reedição de lendárias figuras do sistema de corrupção institucionalizada que é o Estado Brasileiro?, declarou o bispo, que atualmente preside o Conselho de Segurança Alimentar de Minas Gerais. De acordo com a nota, Dom Mauro acusa as empresas e empresários de comunicação que, ?por ação ou omissão?, participam do processo de desmantelamento da Ágora e de destruição do atual presidente da ONG, Mauro Farias Dutra, que é amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ?Comovem-me empresas e empresários de comunicação que, por ação ou omissão, participam ou participaram de incontáveis processos escusos que permeiam a cultura e a prática do mundo dos negócios e das negociatas políticas, investindo com furor puritano e farisaico contra uma pequena ONG e um empresário [Dutra] comprometido com a justiça, a solidariedade e a cidadania?, disse o bispo. Também foram feitas acusações contra o Ministério Público, que segundo Dom Mauro está, indevidamente, julgando a Ágora e Dutra. O MP do Distrito Federal entrou ontem com uma ação judicial para que Dutra devolva R$ 887.719,67 ao erário. O dinheiro teria sido desviado por meio de notas frias, segundo as investigações dos procuradores, em 2001. ?Lamentável que motivos desconhecidos levem servidores do Ministério Público a transformar a apuração de corrupção e de crime em alimento de abutres ávidos dos lucros que caracterizam seus negócios e negociatas?, afirmou Dom Mauro. O ministro Ricardo Berzoini (Trabalho) também anunciou uma sindicância para apurar a execução de convênios recentes de sua pasta com a Ágora. Ele quer saber se houve também aí emissão de notas frias.

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