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Educação

UNICEF: 1 EM CADA 10 CRIANÇAS NÃO PLANEJA VOLTAR À ESCOLA NO BRASIL

Em vários estados brasileiros, cerca de 3 em cada 4 crianças da 2ª série estão fora dos padrões de leitura

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A exclusão escolar atingiu sobretudo crianças de faixas etárias em que o acesso à escola
A exclusão escolar atingiu sobretudo crianças de faixas etárias em que o acesso à escola -

Relatório global divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nesta segunda-feira (24), Dia Internacional da Educação, aponta que 1 em cada 10 crianças de 10 a 15 anos não planeja voltar a estudar quando as escolas reabrirem, por conta da Covid-19, no Brasil. Em vários estados brasileiros, ainda segundo o relatório, cerca de 3 em cada 4 crianças da 2ª série estão fora dos padrões de leitura — no pré-pandemia, o índice era de 1 em cada 2 crianças. Em países de baixa e média renda, as perdas de aprendizado devido ao fechamento de escolas deixaram até 70% das crianças de 10 anos incapazes de ler ou entender um texto simples, acima dos 53% registrados antes do coronavírus se espalhar pelo mundo. Na Etiópia, por exemplo, é estimado que as crianças da escola primária tenham aprendido de 30% a 40% da matemática que teriam aprendido se fosse um ano letivo normal. Na África do Sul, as crianças em idade escolar estão um ano letivo completo atrás do que deveriam. Cerca de 400 mil a 500 mil alunos abandonaram a escola entre março de 2020 e julho de 2021. De acordo com o órgão, as consequências do fechamento de escolas estão aumentando. Além da perda de aprendizado, o "fechamento das escolas afetou a saúde mental das crianças, reduziu seu acesso a uma fonte regular de nutrição e aumentou o risco de abuso". "Um crescente corpo de evidências mostra que a Covid-19 causou altas taxas de ansiedade e depressão entre crianças e jovens, com alguns estudos descobrindo que meninas, adolescentes e pessoas que vivem em áreas rurais são mais propensas a ter esses problemas", informou a Unicef.

EXCLUSÃO

Um outro relatório divulgado pelo Unicef no ano passado mostra que com escolas fechadas por causa da pandemia, em novembro de 2020, quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos não frequentavam a escola (remota ou presencialmente). A eles, somam-se outros 3,7 milhões que estavam matriculados, mas não tiveram acesso a atividades escolares e não conseguiram se manter aprendendo em casa. No total, 5,1 milhões tiveram seu direito à educação negado em novembro de 2020. A exclusão escolar atingiu sobretudo crianças de faixas etárias em que o acesso à escola não era mais um desafio. Dos 5,1 milhões de meninas e meninos sem acesso à educação em novembro de 2020, 41% tinham de 6 a 10 anos de idade; 27,8% tinham de 11 a 14 anos; e 31,2% tinham de 15 a 17 anos – faixa etária que era a mais excluída antes da pandemia. “Crianças de 6 a 10 anos sem acesso à educação eram exceção no Brasil, antes da pandemia. Essa mudança observada em 2020 pode ter impactos em toda uma geração. São crianças dos anos iniciais do ensino fundamental, fase de alfabetização e outras aprendizagens essenciais às demais etapas escolares. Ciclos de alfabetização incompletos podem acarretar reprovações e abandono escolar. É urgente reabrir as escolas, e mantê-las abertas, em segurança”, defende Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil. O estudo mostra, também, que a exclusão afetou mais quem já vivia em situação vulnerável. Em relação às regiões, Norte (28,4%) e Nordeste (18,3%) apresentaram os maiores percentuais de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos sem acesso à educação, seguidas por Sudeste (10,3%), Centro-Oeste (8,5%) e Sul (5,1%). A exclusão foi maior entre crianças e adolescentes pretos, pardos e indígenas, que correspondem a 69,3% do total de crianças e adolescentes sem acesso à Educação. “Os números são alarmantes e trazem um alerta urgente. O País corre o risco de regredir duas décadas no acesso de meninas e meninos à educação, voltado aos números dos anos 2000. É essencial agir agora para reverter a exclusão, indo atrás de cada criança e cada adolescente que está com seu direito à educação negado, e tomando todas as medidas para que possam estar na escola, aprendendo”, afirma Florence.

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