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Lula quer nova ordem na pol�tica econ�mica

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São Paulo - Ao defender ontem a necessidade de se estabelecer uma nova ordem econômica mundial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou os holofotes da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), realizada em São Paulo, para cobrar mais ambição e vontade política dos países em desenvolvimento. ?Temos de demonstrar a coragem política de erguê-las. Estamos conscientes de que o desenvolvimento não é um presente que a comunidade internacional dará às nossas nações?, disse. Nesta segunda-feira, Lula fez dois pronunciamentos. No primeiro, diante do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, disse que o desenvolvimento almejado ?não ocorre de forma automática, nem será resultado de geração espontânea das forças de mercado, e que requer determinação política?. Depois, ao abrir a sessão de debates com chefes de Estado dos países sul-americanos, afirmou que ?só alcançaremos nossos objetivos se tivermos vontade política de sermos ambiciosos?. Plano Marshall Lula lembrou o Plano Marshall, implementado após a Segunda Guerra Mundial para auxiliar a recuperação das economias dos países atingidos pelo conflito. ?O financiamento maciço espantou a depressão e gerou uma espiral de prosperidade. Trouxe de volta o emprego, a renda e a poupança. Consolidou a paz e o progresso. O mundo mudou, mas é disso que se trata novamente?. Nos dois discursos, ele sugeriu que a revitalização do chamado sistema geral de preferências comerciais seria um caminho para ampliar o intercâmbio com os países mais ricos. Criado nos anos 80, o acordo permite aos países em desenvolvimento a eliminação de barreiras comerciais recíprocas, sem a necessidade de estender igual concessão aos países ricos. Lula usou dados da Unctad para mostrar que uma redução tarifária de 50% entre os países em desenvolvimento geraria um aumento do comércio em até US$ 18 bilhões. Antes, Kofi Annan já havia feito essa referência, com números parecidos ? US$ 15,5 bilhões. A redução tarifária de 30% acarretaria aumento de US$ 8,5 bilhões.

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