Nacional
CPI quebra sigilo fiscal de entidades ligadas ao MST
Brasília - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista da Terra aprovou ontem, em votação simbólica, requerimento do deputado Abelardo Lupion (PFL-PR) que quebra o sigilo bancário e fiscal da Associação Nacional de Cooperação Agrária (Anca) e da Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil (Concrab). De acordo com o deputado, o repasse de recursos da União para as duas entidades tinha sido suspenso em 2000, depois que a Polícia Federal ter apurado que ambas repassaram dinheiro para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), para organizar invasões de terra. Ele disse que o governo Lula voltou a beneficiar as duas entidades e ambas já receberam cerca de R$ 6 milhões de recursos federais. Lupion acusou a Anca e a Concrab de serem ?laranjas? do MST. De acordo com o deputado, o MST e as duas entidades movimentam doações e verbas federais em uma mesma conta bancária, o que facilitaria o desvio de recursos. ?Tenho certeza de que as entidades são laranjas do MST, que as usa para desviar dinheiro público. Veja como é estranho: as doações para o MST são feitas na mesma conta em que a Anca e a Concrab recebem recursos do governo?, disse Lupion. Reportagem da Folha de São Paulo em maio de 2000 revelou que o MST havia montado um esquema para retirar parte do seu sustento financeiro dos cofres do governo. Na época, os recursos eram interceptados antes mesmo de chegar às mãos dos assentados. O ?pedágio financeiro? do MST recolhia 3% do dinheiro enviado aos assentamentos controlados pelo movimento.