Nacional
Paulo Maluf se nega a responder perguntas sobre contas no exterior
O ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf (PP) se valeu do direito constitucional de permanecer calado e só falar à Justiça e não respondeu a nenhuma das perguntas feitas ontem pela Promotoria de Justiça da Cidadania, que investiga o envio ilegal de milhões de dólares para o exterior e o suposto superfaturamento de obras públicas durante a gestão do ex-prefeito na Prefeitura de São Paulo (93-96). Maluf, que é pré-candidato à disputa pela Prefeitura, aproveitou sua estada na sede do Ministério Público por cerca de 2 horas para fazer campanha. Disse a pessoas que estavam na sede do órgão que vai trabalhar para a geração de empregos na cidade de São Paulo. Apesar da estratégia de Maluf, o Ministério Público Federal, que investiga os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, decidiu intimar toda a família Maluf para depor até o fim deste mês. O ex-prefeito e seus familiares negam todas as acusações. Diz ser vítima de uma perseguição política. ?Sou o político mais investigado do Brasil, e nunca encontraram nada?. Maluf já foi ouvido, no final de 2001, sobre as contas no exterior. Na época, um dos poucos documentos que o Ministério Público tinha em mãos era uma carta, enviada por autoridades de Jersey, intitulada ?Paulo Maluf?. Na mensagem, Jersey cobrava providências do Brasil e informava que os ?recursos? (cerca de US$ 200 milhões) não poderiam ficar bloqueados por tempo indefinido. Partido O PP (partido de Maluf) constituiu um conselho de ética que irá analisar as denúncias contra o ex-prefeito. O conselho terá cinco dias para se manifestar, e o relatório final será encaminhado à Executiva Nacional e à Executiva Estadual do partido, que irão decidir sobre a manutenção da candidatura Maluf.