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Lula cobra mudan�a do FMI na contabilidade dos gastos
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a cobrar ontem flexibilidade do Fundo Monetário Internacional (FMI) nas negociações com países em desenvolvimento. Em discurso na Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), ele reivindicou que os investimentos em infra-estrutura não sejam contabilizados como gastos. ?Os critérios do FMI para os países em desenvolvimento devem ser adaptados, de modo que os investimentos em infra-estrutura não sejam contabilizados como gastos?, disse em pronunciamento que abriu uma mesa de debates sobre mecanismos de financiamento do desenvolvimento, ao lado do secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Lula afirmou que enviou mensagem a todos os presidentes que têm influência no FMI pedindo que orientassem seus representantes a defenderem a distinção dos gastos. ?[É preciso] Levar em conta a necessidade de diferenciação do chamado gasto com uma piscina feita na casa de uma autoridade e o gasto feito numa hidrelétrica, numa hidrovia ou numa ferrovia?. O presidente afirmou ainda que a nova agenda de desenvolvimento ?deve incluir entre seus objetivos a promoção de um comércio mais justo e de fluxos financeiros internacionais mais estáveis?. Disse também que é preciso ?brigar? um pouco para que isso possa acontecer. ?Afinal de contas, ninguém segue a ninguém se não houver um pouco de briga e uma boa briga sempre faz bem para o fortalecimento da democracia e também das instituições de financiamento do setor produtivo no mundo?. O discurso de Lula novamente foi focado na necessidade de uma mobilização mundial para combater a fome. Disse que os governantes deveriam priorizar a erradicação da fome na elaboração dos seus orçamentos. ?A fome passa a ser responsabilidade daqueles que comem?.