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Jo�o Paulo 2� pede desculpas pela Inquisi��o

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Conversas sobre julgamentos, bruxas queimadas e livros proibidos ecoaram ontem no Vaticano, enquanto o papa João Paulo 2º pedia perdão pela Inquisição, quando a Igreja Católica torturou e matou pessoas consideradas heréticas. O papa fez seu apelo em uma carta lida durante uma entrevista coletiva convocada para o lançamento de um livro sobre a Inquisição. Ele repetiu uma frase de um documento de 2000, no qual pela primeira vez o papa pediu perdão pelos ?erros cometidos a serviço da verdade por meio do uso de métodos que não têm relação com a palavra do Senhor?. A declaração refere-se à tortura, aos julgamentos sumários, às conversões forçadas e às fogueiras nas quais eram queimados os acusados de heresia. Mas, na carta, o papa foi mais longe, dizendo que o pedido de perdão valia ?tanto para os dramas relacionados com a Inquisição quanto para as feridas deixadas na memória [coletiva] depois daquilo?. O papa Gregório 9º criou a Inquisição em 1233 para combater a heresia, mas autoridades da Igreja Católica logo começaram a contar com autoridades civis para multar, prender, torturar e matar supostos heréticos. Ela atingiu um pico no século 16, como resposta à Reforma. O livro de 800 páginas lançado ontem baseia-se nos discursos feitos no simpósio acadêmico patrocinado pelo Vaticano seis anos atrás. Mas a entrevista coletiva foi além disso. Um mapa mostrou que a Alemanha registrou o maior número de ?bruxos? e ?bruxas? mortos por tribunais civis no começo do século 15. Cerca de 25 mil pessoas da população de 16 milhões foram mortas. Mas, em termos proporcionais, o recorde pertence a Liechtenstein, onde 300 pessoas, ou 10% dos 3.000 habitantes da região, foram mortas por praticar bruxaria.

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