Nacional
Basta-me um microfone para derrotar meus advers�rios, dizia ex-governador
Quem acompanhou Leonel de Moura Brizola de perto provavelmente ouviu dele a frase que se tornou mítica no auge de sua carreira política: ?Basta-me um microfone para derrotar os adversários?. E foi assim durante a maior parte da carreira deste atuante protagonista da história política do Brasil. O brizolismo teve o seu auge na década de 80, quando Brizola e seu então recém-criado PDT atropelou os favoritos Miro Teixeira, candidato do PMDB, e Moreira Franco, do antigo PDS, e se elegeu governador do Rio, em 1982, depois de passar 15 anos no exílio. Com a anistia, em 1979, Brizola retornou ao país e fundou o PDT, após perder o PTB para a herdeira de Getúlio, Ivete Vargas. Seu governo foi marcado por forte apelo popular através da bandeira da educação em tempo integral. Ao lado de Darcy Ribeiro, um dos seus principais aliados, espalhou pelo Estado sua marca: os Cieps (centros integrados de educação popular), conhecidos como Brizolões, e construiu o Sambódromo. Sobre os palanques, Brizola despertava amor e ódio e emprestou o seu nome ao coração político do Rio, a Cinelândia, conhecida por mais de uma década como Brizolândia, por reunir brizolistas ferrenhos. O sucesso político de Brizola abriu portas para a eleição de aliados, que depois romperiam com seu criador: Marcello Alencar, eleito prefeito e governador; Cesar Maia, duas vezes prefeito do Rio; Saturnino Braga, prefeito e senador; e Anthony Garotinho, duas vezes prefeito de Campos e governador do Estado.