Nacional
Brizola recebe �ltimas homenagens antes de ser enterrado em S�o Borja
Porto Alegre - O corpo do governador Leonel Brizola foi saudado por cerca de dez mil pessoas, segundo cálculos da Brigada Militar, ontem, durante desfile em carro aberto do Aeroporto Internacional Salgado Filho ao Palácio Piratini, sede oficial do governo gaúcho. Com atraso de duas horas e meia do horário previsto, o avião com o corpo de Brizola chegou a Porto Alegre às 15h05. Com honras militares, que incluíam 30 cavalarianos vestidos com roupas de gala, o caixão com o corpo do governador foi colocado em um caminhão do Corpo de Bombeiros e desfilou durante 1 hora e 17 minutos pelas ruas de Porto Alegre. O cortejo chegou às 16h45 ao Palácio Piratini, onde em 1961 Brizola liderou a chamada ?campanha da legalidade? movimento vitorioso em defesa da posse de João Goulart após a renúncia do presidente Jânio Quadros. O pedetista governou o Rio Grande do Sul entre 1959 e 1962, quando encampou as companhias de energia elétrica e telefonia, pertencentes até então a empresas norte-americanas. No Cemitério Jardim da Paz, em São Borja (a 583 km de Porto Alegre, onde o ex-governador Leonel Brizola será enterrado hoje já estão os corpos dos presidentes Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954) e João Goulart (1961-1964), da mulher de Brizola, Neusa Brizola, e até do segurança de Getúlio Gregório Fortunato. Com o sepultamento de Brizola, São Borja terá dois eventos num intervalo exato de dois meses que reforçarão sua alcunha de ?berço do trabalhismo?. No próximo dia 24 de agosto, completam-se 50 anos do suicídio de Vargas, e, sob patrocínio da Souza Cruz (outras empresas privadas ainda podem aderir, e os valores não foram estabelecidos), seu corpo ganhará um mausoléu com estátua na Praça 15 de Novembro, no centro da cidade. Para o evento de hoje haverá um cortejo de oito quadras a pé da igreja onde Brizola será velado a partir das 10h até o cemitério onde será sepultado, às 16h. O enterro já provocou a lotação dos oito hotéis da cidade e a mobilização de 70 policiais militares, com reforço de São Luiz Gonzaga. São esperadas milhares de pessoas, em um movimento semelhante ao ocorrido em 1979, ano da anistia, quando Brizola chegou do seu exílio de 15 anos e fez questão de visitar a terra do trabalhismo.