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Mais de 650 mil brasileiros consomem coca�na
São Paulo - O Brasil está em décimo lugar num ranking entre os maiores consumidores de cocaína do mundo, bem atrás de países como Espanha, Estados Unidos, Reino Unido, Argentina e Chile. Para cada brasileiro viciado, existem mais de seis espanhóis ou seis americanos que consomem a droga. Também à frente ficaram Austrália, Holanda, África do Sul e Paraguai. A lista foi produzida pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (Unodc) do Brasil e desmente notícia já divulgada de que o País figurava na segunda posição. Em termos quantitativos há um número elevado de usuários da droga: mais de 650 mil brasileiros. O ranking foi elaborado a partir de dados do Relatório Anual de Drogas, divulgado ontem em Brasília. O mundo tem cerca de 185 milhões de usuários de drogas ilícitas, menos de 5% de sua população. Com exceção do Afeganistão, onde o ópio se expandiu drasticamente nos últimos dois anos, o cultivo dessa droga e da cocaína tem caído nos países produtores. Nos países andinos, houve uma redução de 30% nas culturas de coca. Mercado potencial Apesar de não aparecer, no relatório mundial sobre drogas divulgado ontem pela ONU, entre as nações com maior percentual de usuários de drogas em relação à população, a situação brasileira preocupa as autoridades das Nações Unidas envolvidas no estudo. Segundo o representante regional da ONU, Giovanni Quaglia, o Brasil pode ser considerado um mercado potencial para a expansão do tráfico de drogas pelo fato de o consumo ainda estar abaixo da média mundial, além da existência de uma grande população jovem, de desigualdades sociais e de um sistema público ineficiente no combate às drogas. O relatório revela que 1% da população brasileira consome maconha ou haxixe, 0,4% usa cocaína e 0,3% consome anfetaminas. O estudo não registrou o consumo relevante de ecstasy no País. Ao defender uma política de prevenção e tratamento dos usuários como um caminho para barrar a evolução das drogas no País, Quaglia criticou o fato de dois terços dos recursos públicos do fundo destinado ao combate às drogas estarem bloqueados pelo governo. ?O fundo da droga tem R$ 15 milhões, cortar R$ 10 milhões é muita coisa?, disse. De acordo com a ONU, o tratamento pode reduzir a atividade criminal em até 80%, além de diminuir os atendimentos hospitalares entre 30% e 50%. Exemplo brasileiro O relatório da ONU destacou, ainda, a necessidade de atenção especial ao uso de drogas injetáveis devido à proliferação do vírus HIV. A ONU estima que metade dos 13 milhões de usuários de drogas injetáveis no mundo já tenha contraído a Aids. Em algumas regiões a incidência do HIV entre os dependentes chega a 90%. Neste caso, o Brasil aparece como um exemplo positivo, segundo Quaglia, pelo resultado de campanhas de distribuição de seringas e preservativos para essa população.