Nacional
REINO UNIDO: 32 MEMBROS DO GOVERNO RENUNCIAM
O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, enfrenta mais uma crise pública: uma debandada de ministros e funcionários insatisfeitos com a postura do governo a respeito de denúncias de assédio envolvendo um parlamentar de grande importância para os Conservadores.
A postura do governo sobre o caso resultou na perda de confiança em Johnson. O movimento, que começou ontem com a saída quase conjunta dos ministros da Saúde e das Finanças, Sajid Javid e Rishi Sunak, se estendeu a cargos menores, como no caso de secretários particulares parlamentares, que auxiliam ministros de Estado em suas funções.
O secretário de Estado para a Infância e a Família, Will Quince, também anunciou a demissão e afirmou que “não tinha outra opção” depois de ter apresentado à imprensa informações proporcionadas pelo gabinete de Johnson “que se revelaram inexatas”.
A outra renúncia do dia foi da vice-secretária de Estado para os Transportes, Laura Trott. No total, são pelo menos 32 funcionários do governo até o momento que deixaram suas posições. Os buracos mais graves, como na Saúde e Finanças, foram rapidamente preenchidos, mas a crise parece longe de terminar.
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Segundo um repórter da BBC, um grupo de ministros está prestes a pedir a Johnson que renuncie. Entre eles, está o chefe de gabinete que está encarregado de organizar o partido.
O procurador Alex Chalk, o segundo consultor jurídico mais importante do governo, disse que o efeito cumulativo de uma série de escândalos fez com que a população não acreditasse mais que o governo poderia manter os padrões esperados de franqueza. “Lamento que eu compartilhe esse julgamento”, afirmou.
Perante o Parlamento, Boris Johnson disse que não pretende renunciar ao cargo.
Em tese, o Partido Conservador não poderia mover novamente um voto de desconfiança em Johnson — uma medida prevista no parlamentarismo britânico para avaliar se o primeiro-ministro deve continuar no cargo após algum fato relevante que ponha em xeque a integridade do governo.
Johnson sobreviveu ao processo no mês passado em decorrência do processo do “partygate”, que avaliou festas em Downing Street, sede do poder britânico, durante o lockdown nacional pela Covid-19. Por isso, Boris Johnson estaria imune a um novo voto de desconfiança por mais um ano, mas isso não isenta o premiê de sofrer pressões de todos os lados para renunciar.