Nacional
Lula discute entrada de novos parceiros no Mercosul
Documento assinado ontem em Santo Domingo (República Dominicana) por representantes de nove países deu o primeiro passo para o começo de negociações para uma zona de livre comércio entre América Central, Caribe e América do Sul. A idéia é que todos possam integrar o Mercosul. O texto, entre outros pontos, deu destaque a uma das principais bandeiras da atual política externa brasileira - a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O Brasil quer assegurar uma cadeira definitiva no CS, como hoje têm Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China. O encontro de ontem e a visita oficial ao Haiti, hoje, fazem parte de tal estratégia do Itamaraty. O encontro de chefes de Estado ocorreu por iniciativa do Brasil. Participaram, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representantes (presidentes ou primeiros-ministros) de Uruguai, República Dominicana, Honduras, Costa Rica, Haiti, Guatemala, Antilhas Holandesas. O documento tocou em pontos como o problema da pobreza e da fome na América Latina, no processo de recuperação política e econômica do Haiti e na eliminação de distorções na Organização Mundial do Comércio (OMC). Antes da reunião de cúpula, que durou cerca de duas horas no Palácio do Governo Dominicano, Lula se encontrou pela primeira vez com o presidente haitiano, Alexandre Boniface. O encontro foi na própria sede do governo dominicano, e o único assunto, o futebol. No bate-papo informal, com a ajuda de intérpretes (Boniface fala francês), Lula sugeriu o envio de times brasileiros ao Haiti após a realização, hoje à tarde, do chamando ?jogo da paz? entre os selecionados local e brasileiro. A sugestão foi prontamente acolhida por Boniface. Em seguida, cercado por fotógrafos e cinegrafistas, Lula apostou num empate entre as seleções. ?A população haitiana é também um pouco brasileira. Se o Brasil ganhar, não será um problema para nós. O povo haitiano vai também torcer para o Brasil?, respondeu Boniface. Segundo o presidente do Haiti, o simples fato da realização da partida já foi suficiente para tranqüilizar ainda mais o país e aumentar, ao mesmo tempo, o processo de desarmamento.