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BIDEN VAI AO ORIENTE E FAZ JOGADA DE RISCO

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Joe Biden embarcou para sua primeira viagem ao Oriente Médio como presidente dos Estados Unidos, na noite desta terça-feira (12), pensando tanto nas possíveis vitórias a colher quanto nos problemas dos quais será obrigado a se desviar —o maior deles sendo o timing.

Quando o tour por Israel, Palestina e Arábia Saudita foi anunciado, no começo de junho, o preço do petróleo estava em alta recorde, e a ida a uma região que é grande fornecedora global foi vista como tentativa de potencialmente contornar a questão: Biden poderia convencer os países a aumentar a produção e baixar preços.

“Os recursos energéticos [da região] são vitais para mitigar os impactos sobre os suprimentos globais da guerra da Rússia na Ucrânia. E a aproximação via diplomacia e cooperação reduz os riscos de avanço da violência extremista que ameaça nosso território [dos EUA]”, escreveu o presidente em artigo recente no jornal The Washington Post.

A cotação do petróleo, porém, caiu nas últimas semanas: passou da faixa de US$ 120 em junho para os atuais US$ 95, em meio à expectativa de recessão que pode atingir inclusive os EUA nos próximos meses.

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“Países como Arábia Saudita e Emirados Árabes não estão motivados a produzir mais e trazer preços para baixo; estão aproveitando a alta de preços”, ponderou ?Samantha Gross, diretora de Segurança Energética do centro Brookings, em um debate.

O timing se torna mais delicado em um contexto em que Biden vive sério desgaste de imagem nos EUA, que ameaça o Partido Democrata no pleito legislativo de novembro. Em maio ele fez uma viagem à Ásia da qual já voltou sem grandes resultados práticos na bagagem.

Agora, a visita aos sauditas teve novo custo político interno alto. Em 2020, Biden criticou Donald Trump por sua proximidade com Riad, especialmente com o contexto do assassinato de Jamal Khashoggi, jornalista do Post morto e esquartejado em 2018 no consulado do país na Turquia. A inteligência americana aponta que a execução foi ordenada pelo príncipe Mohammed Bin Salman, que nega envolvimento.

Na campanha, o democrata prometeu fazer os sauditas “pagarem o preço” e tratá-los “como o pária que são”. Mas, no cargo, manteve a parceria de décadas, reatando a relação aos poucos.

Congressistas democratas chegaram a enviar uma carta pedindo ao presidente que não fosse à Arábia Saudita. “As manchas de sangue nele [MbS] ainda não foram limpas”, disse o senador Tim Kaine. Treze grupos de direitos humanos ainda disseram que retomar as relações “não só trai promessas de campanha, mas provavelmente dará mais poder ao príncipe para cometer outras violações”.

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