Nacional
Para ouvidor, sem-teto foram mortos por grupo organizado
O chefe da Ouvidoria Geral da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República, Pedro Montenegro, acredita que grupos organizados sejam os responsáveis pelas agressões e mortes de moradores de rua, ocorridas na capital paulista. Montenegro está em São Paulo para acompanhar as investigações. Paralelamente, pretende ampliar a discussão de políticas públicas que diminuam os riscos vividos pelos moradores de rua. ?Está claro, na opinião da Secretaria, que se trata de ação de grupo organizado. E nós, da Secretaria de Direitos Humanos, entendemos que esse crime não é só um crime contra os moradores de rua. Ainda que fosse, já era grave, contra o estado democrático de direito, porque afeta aquilo que temos de mais sagrado em nossa Constituição, que é o princípio da dignidade humana. Precisamos construir alternativas e ampliar a proteção social dos moradores de rua?, disse. Montenegro entende que o serviço de proteção a moradores de rua deve ser ampliado, melhorado e universalizado. ?Precisamos construir alternativas e ampliar a proteção social dos moradores de rua. O governo federal quer ampliar a discussão porque não se trata de um fato isolado. Temos o caso da Candelária e do índio Galdino?, afirmou. Retrato falado Ontem, a Polícia de São Paulo divulgou o retrato falado dos suspeitos da morte dos seis moradores de rua e da agressão de outros dez no centro de São Paulo. Ontem, uma outra testemunha, moradora de rua das imediações da Praça da Sé, falou à polícia e fez a descrição de dois suspeitos. Segundo a polícia, um deles seria branco, magro, com a cabeça raspada, com idade aparente de 25 a 28 anos e pilotava uma moto de grande porte. O outro seria negro, com 30 anos, e estaria em um carro preto com os vidros cobertos por película fumê. O delegado responsável pelas investigações, Luis Fernando Lopez Teixeira, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), disse que os ataques podem ter partido de um grupo, mas nenhuma outra hipótese foi descartada. O Instituto Médico Legal também divulgou os resultados preliminares dos exames das vítimas. Segundo o laudo, os moradores de rua de São Paulo foram mortos por traumatismo crânio-encefálico com um só golpe de um objeto contundente, semelhante a uma marreta. Prisão Também ontem, técnico de manutenção de escadas rolantes Sidney Souza de Oliveira, de 39 anos, que na noite de 20 de maio de 2003 tentou matar com pauladas na cabeça um mendigo que dormia em Guarulhos, teve sua prisão novamente decretada, por unanimidade, pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. Pelo modo como agiu, a suspeita é de que ele esteja envolvido nos recentes ataques contra moradores de rua no centro de São Paulo. Os atentados começaram pouco tempo após Sidney recuperar a liberdade, no dia 28 de junho. Ele permaneceu preso um ano e dois meses no Centro de Detenção Provisória de Guarulhos. Na Câmara dos Deputados foi formada uma comissão para acompanhar as investigações.