Nacional
Pol�ticos e servidores p�blicos s�o investigados
O Ministério Público Federal (MPF) revelou, ontem, que 411 servidores federais e 137 políticos estão envolvidos na remessa ilegal de dinheiro ao exterior através de contas CC-5 (contas de não-residentes), entre 1996 e 2000, por meio do banco Banestado, do Paraná. O resultado faz parte de uma força-tarefa do MPF e a Polícia Federal. Entre os evolvidos estão prefeitos e vereadores de várias cidades brasileiras e servidores públicos de alto escalão. Os dados foram obtidos com a ajuda da Justiça Federal de Curitiba. O balanço revela ainda que os 411 servidores públicos movimentaram R$ 459.118.962,73 em 2001 em contas de empresas de ?laranjas?. As investigações, agora, serão realizadas nos estados dos servidores. Cerca de 70% das contas CC-5 desses servidores são vinculadas a instituições financeiras com sede em Nassau, Paraguai e Cayman. A estimativa é que mais de US$ 24 bilhões tenham sido enviados ilegalmente ao exterior entre 1996 e 2000. A evasão de divisas foi constatada por meio de cruzamento dados com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). Os dados de ontem foram divulgados pelo procurador-geral da República, Claudio Fonteles, e pelos procuradores Raquel Branquinho e Valquiria Quixadá, que atuam em Brasília, e Vladimir Aras e Carlos Fernando dos Santos Lima, que atuam em Curitiba. A força-tarefa, que teve início em maio de 2003, prendeu, em agosto, 64 pessoas e cumpriu mais de 150 mandados de busca em sete estados do País, na chamada operação Farol da Colina. Em Curitiba, 375 pessoas foram denunciadas e outras 68 em Foz do Iguaçu. Ao todo, 16 pessoas já foram condenadas, sendo três delas com sentença transitada em julgado (que não cabe mais recurso). Foi pedido o seqüestro de bens de 109 pessoas e arrestados bens no valor de mais de R$ 107 milhões. Não estão incluídas, nesse valor, as quantias arrecadadas com fianças, que, em alguns casos, foram elevadas, como, por exemplo, os R$ 700 mil pagos pelo gerente de um Banco do Paraguai. Os procuradores planejam, a partir de agora, estender a investigação aos servidores do Legislativo e do Judiciário. A força-tarefa também será descentralizada, ficando a representação da Procuradoria da República em cada Estado encarregada das investigações sobre as operações de doleiros. O caso Banestado também está sendo investigado por uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) no Congresso. A CPI, no entanto, está com os trabalhos paralisados desde junho.