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Desespero e reencontros

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Crianças seminuas e cobertas de sangue corriam aterrorizadas pelas ruas, agarrando com desespero garrafas de água oferecidas por médicos enquanto se ouviam tiros, gritos e ambulâncias. O seqüestro da escola na cidade de Beslan, na Ossétia do Norte, na Rússia, terminou ontem com cenas de grande confusão e um número ainda desconhecido - mas certamente muito alto - de mortos entre os até 1.500 adultos e crianças mantidos reféns por separatistas chechenos por mais de dois dias. Uma série de ambulâncias deixou o local carregando corpos, muitos dos quais aparentemente sem vida. ?Quebrei uma janela para sair dali?, disse um menino com uma bandagem na mão. As pessoas estavam correndo em todas as direções. Eles (os rebeldes) atiravam do telhado. Perto dos portões da escola, podiam ser vistos seis corpos cobertos com lençóis. Um dos corpos era de uma adolescente seminua. O outro, o de um menino com menos de 1 metro de altura. Homens e mulheres corriam de um lado para o outro, boquiabertos, com as mãos no rosto e na cabeça, levantando os lençóis para ver se reconheciam os corpos. Um homem de 40 anos ajoelhou-se perto de um corpo, chorando com o rosto coberto. Garotas assustadas ainda usavam os cabelos decorados com faixas brancas usada na celebração da volta as aulas ? agora inteiramente sujas. Os que tiveram sorte entre os parentes postados do lado de fora da Escola de Ensino Médio Número 1 protagonizaram reencontros cheios de emoção com as crianças, que vestiam apenas suas roupas de baixo por ordem dos seqüestradores. Elas ficaram por dois dias presas no ginásio da escola, sem água e sem comida. Uma mãe em lágrimas acariciava o cabelo loiro de seu filho. Uma avô tocava o rosto ensangüentado de seu neto.

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