Nacional
Inqu�rito pede indiciamento de Jaudeni
FELIPE FARIAS O vereador Jaudeni Coutinho (PSB) deve ser indiciado por crime de extorsão mediante seqüestro, por ter mantido em cárcere privado os comerciantes pernambucanos Sávio Gomes e Flávio Freire que haviam lhe vendido um trator roubado. A conclusão estará no relatório sobre o inquérito que a comissão de delegados que investigou o caso deve entregar hoje à Justiça. O presidente da comissão, delegado Cícero Lima, descartou, porém, a necessidade de pedir a prisão do vereador, por avaliar que ele ?atende às exigências que o isentam da medida, como ter residência fixa?. Ainda assim, o delegado fez uma ressalva. ?Como se trata de uma comissão, se os demais componentes entenderem que devemos pedir a prisão do vereador, podemos incluí-la no resultado porque, além do relatório, estou levando também o disquete [em que o documento foi digitado] e isso pode ser modificado na hora?, informou Cícero Lima. Além do vereador, também deverão constar do relatório os policiais acusados no caso junto com Jaudeni: o delegado Moisés Marcelo, o chefe de serviço da delegacia do 11o Distrito Policial, Nivaldo Acioli, e o agente José Cícero, que deverão constar como tendo cometido abuso de autoridade. A entrega, segundo Lima, está marcada para a tarde de hoje, ?após as 13h?, horário que marcou com outros dois delegados designados pela Polícia Civil para investigar o caso, Maurício Duarte e Rubens Natário. O inquérito será protocolado no setor de distribuição do Fórum do Barro Duro. O vereador Jaudeni Coutinho foi preso no dia 23 de junho, quando a polícia estourou o cárcere privado dos pernambucanos, a fundação de propriedade de Jaudeni . Sávio Gomes e Flávio Freire ficaram detidos sem mandado judicial porque venderam um trator roubado ao vereador. Eles foram mantidos durante uma semana na sede da fundação, tempo em que o vereador manteve contato com a família deles, cobrando a restituição do valor pago pelo veículo, R$ 110 mil, mais R$ 17 mil para os policiais que o ?ajudaram? a deter os responsáveis pela venda fraudada. A operação para desbaratar o cárcere privado envolveu, além da Polícia Civil de Alagoas, o Ministério Público de Alagoas e de Pernambuco. Durante a investigação, a comissão de delegados ouviu outros policiais, que participaram da liberação dos encarcerados pelo vereador, e fez perícia em fitas gravadas com as conversas mantidas com familiares de Sávio e Flávio.