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Senador reage com descaso e ironia

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Tranqüilo e irônico, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) minimizou ontem o processo de expulsão aberto pelo partido contra ele e disse que não pretende deixar a legenda. ACM ainda atacou o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), com quem trava uma queda-de-braço pelos rumos do partido. ACM deve ser notificado hoje do processo de expulsão e terá oito dias para apresentar sua defesa. ?Quando for intimado vejo se respondo ou não. Vou pedir um prazo para ver quem ganha as eleições [municipais]. Já ganhei tantas eleições na Bahia e ele [Bornhausen] perdeu tantas em Santa Catarina que seria injusto fazer uma comparação?, afirmou o senador baiano, dizendo não concordar com a ?postura ditatorial e hitleriana? do presidente do partido. ACM desdenhou do pedido de expulsão protocolado pelo deputado federal Onyx Lorenzoni, candidato do PFL à Prefeitura de Porto Alegre (RS). ?Estou levando isso na brincadeira porque a grande maioria dos senadores e dos deputados já me hipotecou solidariedade. É uma piada de mau gosto de um candidato que está mal nas pesquisas e é fornecedor de lingüiças do meu gabinete?, disse o senador referindo-se a produtos típicos do Rio Grande do Sul presenteados por Lorenzoni. Para ACM, não há fundamento no pedido de expulsão. ?Não infringi nenhuma norma do partido. A pessoa janta com quem quer, na casa de quem quer. O líder [José] Agripino [PFL-RN] já jantou com ministros, é algo normal na vida democrática. Queremos acabar com a radicalização, queremos o partido mais flexível?, disse, ressaltando ainda que ?o convite foi feito a todos, não convenci ninguém a ir?. Já na saída do jantar, ACM negou intenção de mudar de partido. ?Por enquanto é especulação. Não é meu desejo sair do partido agora. Quero discutir dentro do PFL?, disse. Questionado se está confortável no partido, ele respondeu: ?Estou confortável em qualquer lugar porque tenho voto?. Reclamações O senador aproveitou o jantar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros José Dirceu (Casa Civil) e Aldo Rebelo (Coordenação Política) para tratar de questões locais. ACM reclamou dos ataques do PT da Bahia. O presidente Lula tentou acalmar o senador, afirmando que os ataques não são dirigidos, que isso acontece em qualquer Estado entre adversários. ACM ainda se queixou com Dirceu do empenho do ministro Humberto Costa (Saúde) na campanha eleitoral baiana. ?Ele não é político local para chegar lá se envolvendo da maneira que se envolve?, reclamou o senador, chamando o senador de ?vampiro da política?. ACM estava se referindo à Operação Vampiro, da Polícia Federal, que investiga fraudes nas licitações do ministério para a compra de hemoderivados.

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