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ACM pode ser expulso do PFL por jantar com Lula

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Na manhã seguinte ao jantar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com seis senadores do PFL, o partido iniciou sob grande confusão ontem um processo de expulsão de Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que articulou o encontro. A aproximação formal do grupo com o governo aprofundou o racha entre ACM e o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), defensor de uma oposição sistemática ao Palácio do Planalto. Após as eleições municipais, Bornhausen pretende intervir nos diretórios do partido na Bahia, no Maranhão e no Tocantins, controlados pelos senadores que se encontraram na noite de segunda-feira com o presidente Lula e os ministros José Dirceu (Casa Civil) e Aldo Rebelo (Coordenação Política). Pelo pedido de expulsão de ACM, feito pelo deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS), o senador baiano infringiu o estatuto partidário, por ?desobediência às deliberações regularmente tomadas em questões de interesse partidário, atentado contra a normalidade das eleições, infidelidade partidária e desacato às autoridades partidárias?. Foi citada especificamente nota oficial do partido, divulgada logo após a eleição do presidente Lula. ?O PFL, fiel ao seu programa, fará uma oposição responsável, fiscalizadora e guardiã das liberdades individuais e coletivas, em que os interesses maiores do Brasil sempre prevalecerão?, diz o texto. Além de ACM, os senadores pefelistas que compareceram ao jantar foram César Borges (BA), Roseana Sarney (MA), Edison Lobão (MA), João Ribeiro (TO) e Rodolpho Tourinho (BA). Excetuados os momentos em que o PFL fecha questão em torno de um assunto, esse grupo tradicionalmente vota com o governo. O encontro, no entanto, em momento pré-eleitoral, tira o discurso dos candidatos do partido, centrado nos ataques ao governo petista. A justificativa para somente ACM ? que já é um pólo de poder independente de Bornhausen dentro do PFL há tempos ? ser punido é ele ter sido o articulador do encontro. Comandante Dirceu Apesar de atacar a tentativa do governo de retirar senadores do PFL, levando-os para a base aliada, Bornhausen iniciou a entrevista coletiva que convocou ontem de forma amena, sem falar em punições. ?O jantar de ontem [segunda-feira] retrata a lastimável realidade da política brasileira. De um lado, o comandante Dirceu com seus comandados, o presidente Lula e o ministro Aldo, praticando ato explícito de cooptação partidária. Do outro, o senador ACM oferecendo adesão?, disse, acompanhado do líder do partido na Casa, José Agripino (RN) e Marco Maciel (PE). Questionado se haveria sanções, o presidente do PFL foi ambíguo. ?O partido tem seu estatuto, quando há falta grave há penalidades. Eu não vou de forma nenhuma propor punição. Quando acabar a eleição, vamos analisar a situação no Maranhão, na Bahia e no Tocantins?. O relator do processo que avaliará a expulsão de ACM é o deputado Eduardo Sciarra (PR), que pretende notificar hoje ACM, que terá oito dias para apresentar sua defesa. De acordo com Sciarra, seu parecer deve ser apresentado à Executiva Nacional no próximo dia 7, quando será votado. Para ser aprovado, o relatório precisa da maioria simples dos 31 membros.

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