Nacional
CPI do Banestado: Jereissati acusa Dirceu
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou ontem que o vazamento de nomes na CPI do Banestado é um problema de toda a sociedade. Após a divulgação da lista de nomes com familiares do senador, as divergências entre ele e o ministro da Casa Civil, José Dirceu, aumentaram. Jereissati afirma não ter provas para acusar ninguém, mas fez inúmeras críticas ao comportamento do ministro. ?Tá todo mundo com a pulga atrás da orelha porque afinal de contas é ele mesmo que faz ameaças, que diz vou pegar fulano, vou acabar com sicrano, vou dar um tiro em beltrano. Para um ministro de Estado essas ameaças são muito estranhas?, disse. O senador afirmou que Dirceu deve procurar atacá-lo de outras formas. ?O Dirceu disse que me daria um tiro no peito, fatal. Não acredito que esse tiro seja com revólver de verdade, e sim, de outras maneiras. Ele mesmo tem levado a crer que está disposto a qualquer coisa?, afirmou. Segundo o senador, não há dúvida de que as informações saíram da relatoria da CPI, mas que ainda não há como afirmar quem estaria por trás do vazamento dos nomes. Para Jereissati, o vazamento de nomes da CPI do Banestado não é um fato isolado. ?É preciso ver a legislação que impõe o controle dos jornalistas, as tentativas de impor uma legislação que controle toda a produção cultural do país e as declarações do ministro da Casa Civil sempre num tom de vou arrasar e arrombar porta?, disse. Ontem, ele chegou a comparar a quebra de sigilo fiscal e telefônico ao nazismo. ?Nessa CPI se quebrou o sigilo de praticamente todo o país, isso é muito grave, é levar as coisas no nazismo?, disse. Reunião Ontem, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), declarou que vai convocar reunião com as lideranças partidárias e as mesas diretoras do Senado e da Câmara dos Deputados para decidir que providências serão tomadas em relação às denúncias publicadas na imprensa sobre o vazamento de informações sigilosas da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banestado. Sarney considerou o vazamento de informações sobre operações bancárias em poder da CPI do Banestado, inclusive de familiares do senador Tasso Jereissati, ?um dos casos mais graves? ocorridos no Congresso brasileiro. ?Eu considero esse caso um dos mais graves ocorridos no Congresso brasileiro. Até porque nosso regimento pune como falta de decoro e tem penas severas contra aqueles senadores que violam o sigilo de documentos que lhes são entregues?, disse.