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Gasto com casa � maior para quem ganha menos
Os brasileiros já gastam mais com a manutenção do lar do que com alimentação. Nos últimos cinco anos, o gasto com tarifas de luz, água, telefone, gás, impostos, aluguel e taxas de moradia aumentou 31,5%. Enquanto isso, o gasto com alimentação caiu 30,68%. O resultado é que o valor total destinado pelos brasileiros para morar chega a R$ 241,34 bilhões, acima dos R$ 115,79 bilhões gastos com alimentos. Os números fazem parte do Índice de Potencial de Consumo calculado pela Target, com base nos números divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ?O peso das despesas com manutenção do lar cresceu no orçamento doméstico por causa dos aumentos. A população teve de tirar de algum lugar para conseguir arcar com estes gastos, já que a renda não aumentou?, explica Marcus Pazzini, diretor da Target. As classes D e E foram as mais afetadas pelo aumento das despesas com moradia. Segundo a pesquisa, o aumento dos gastos foi de 53,64% para as famílias da classe D e de 62,29% na classe E. A renda da classe E é de até dois salários mínimos por mês. A da classe D, de dois a quatro salários mínimos. O aumento das mensalidades escolares também está pesando mais. Em média, os gastos com o pagamento deste item cresceram 38,91% nos últimos cinco anos. Neste caso, as classes sociais mais afetadas foram a C e a B2, com aumento de 79,41% e 91,19%, pela ordem. A renda da classe C vai de 4 a 10 salários mínimos e da classe B2 de 10 a 15 salários mínimos. Em contrapartida, de 1999 para cá, os brasileiros estão gastando menos com medicamentos (-42,65%), roupas (57,49%), bebidas (35,86%) e eletrodomésticos (-34,96%). Marcos Pazzini afirma que o índice aponta também mudança de hábito. Um exemplo é o aumento do valor destinado à manutenção de veículo próprio, que cresceu 58,92% no período. Segundo Pazzini, os brasileiros tiveram mais acesso à compra de carro, mesmo que usado, e mudaram hábitos. Como usam mais carro próprio, também precisam destinar uma parcela maior do orçamento para mantê-lo. As campanhas antitabagistas parecem também surtir efeito. Os gastos com fumo caíram 62,78% nos últimos cinco anos. De acordo com a pesquisa, os brasileiros gastam R$ 5,919 bilhões com produtos desta categoria. Outra novidade é que, a despeito do aperto na renda, os gastos com viagens aumentaram 28,23% e o tamanho deste mercado chega agora a R$ 19,2 bilhões. Na avaliação de Pazzini, essa alta é resultado de um esforço do setor, que passou a ofertar mais pacotes, aumentou o financiamento para viagens e até mesmo criou alternativas de vôos mais baratos à noite. Aumento da casa própria Ontem, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) informou que prestação da casa própria vai subir até 5,49% em outubro. O índice é válido para contratos de financiamento do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) vinculados ao Plano de Equivalência Salarial (PES) por categoria profissional com data-base para aumento salarial em agosto e prazo de 60 dias para repasse às prestações. Os contratos com data-base em setembro e defasagem de 30 dias para repasse às prestações terão aumento de 5,27%. Os aumentos incluem a variação do índice de atualização do saldo devedor nos últimos 12 meses e o índice de produtividade de 3%, estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).