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Brasil envia ajuda em medicamentos para o Haiti
O Ministério da Saúde enviou, ontem pela manhã, dois kits com medicamentos para a população haitiana atingida pela tempestade tropical Jeanne. Cada kit é suficiente para atender 300 pacientes por um período de três meses. De acordo com o ministério, os kits, que pesam no total 765 quilos, contêm medicamentos utilizados pelo programa Saúde da Família. Cada um deles é composto por 23 itens, entre antibióticos, analgésicos, antitérmicos e antiinflamatórios. Além disso, dois tipos de soro - glicosado e de reidratação oral - foram incluídos nas remessas. As tropas brasileiras da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (Minustah) também receberão um kit com medicamentos para primeiros socorros, como álcool, algodão, antibióticos, colírio, dipirona, agulhas e seringas descartáveis. Um avião do Exército Brasileiro, que decolou às 8h do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, transportou os kits até a capital haitiana, Porto Príncipe. De lá, a carga seguiu para Gonaïves - a região mais atingida pela tempestade, localizada a 110 km da capital. A tempestade tropical atingiu o Haiti no último domingo. O primeiro-ministro haitiano, Gerard Latortue, declarou estado de emergência no norte do país e decretou luto de três dias pelas vítimas. A nova tragédia haitiana agravou ainda mais a situação do país, que tenta se reconstruir depois de um golpe de estado. Há quatro meses, mais de três mil pessoas morreram na região fronteiriça entre Haiti e República Dominicana. A região foi atingida por fortes enchentes. O Haiti enfrenta, ainda, graves problemas de infra-estrutura, rede de saúde e saneamento. Ontem, o primeiro-ministro do Haiti, Gerard Latortue, alertou para a ameaça de graves epidemias de doenças depois que o país foi atingido por enchentes causadas pela tempestade tropical Jeanne. Sabe-se que mais de 700 pessoas morreram, mas organizações de ajuda humanitária temem que o número de vítimas pode aumentar, pois há cerca de mil desaparecidos, e corpos em decomposição são vistos flutuando em áreas urbanas inundadas. ?Nós fizemos um apelo por ajuda. O Haiti não pode se recuperar de um desastre como este sozinho?, disse Latortue. ?Nós temos um problema com os corpos: há risco de epidemia?, afirmou o primeiro-ministro haitiano, pintando um quadro sombrio em declaração à Rádio France Info, depois de visitar a cidade de Gonaives, no norte do país. ?Não há eletricidade, os necrotérios não estão funcionando, está tudo alagado?. O chefe de governo também teme que, com vastas áreas do país submersas, a aproximação da tempestade tropical Karl pode agravar a situação. Dias de chuvas torrenciais levaram a deslizamentos de terra, isolando comunidades. Estradas foram destruídas e casas varridas pelas águas. ?O rio destruiu minha casa completamente e agora nós não temos nada?, disse Katya Silme, de 18 anos à agência de notícias Associated Press. Silme diz que ela e a família passaram a noite em cima de uma árvore. Os moradores da cidade portuária de Gonaives foram forçados a se abrigar nos telhados das casas. Um porta-voz das Nações Unidas (ONU) disse que os corpos tiveram de ser enterrados em valas comuns o mais depressa possível, para tentar pôr fim à propagação de doenças. O Programa Mundial de Alimentos da ONU estima que 175 mil pessoas estão sem comida, água potável e eletricidade e precisam de ajuda.