Nacional
Governo eleva o super�vit deste ano de 4,25% para 4,5% do PIB
Após quase três horas de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros da Casa Civil, José Dirceu, e do Planejamento, Guido Mantega, o titular da Fazenda, Antonio Palocci, anunciou no início da noite de ontem que o governo decidiu aumentar o superávit primário deste ano de 4,25% para 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Palocci disse que o governo não precisa enviar ao Congresso um projeto propondo a mudança da meta. O ministro disse, ainda, que o aumento do supe-rávit representa R$ 4,2 bilhões a mais no esforço fiscal para pagamento de juros da dívida e foi possível por causa do aumento da arrecadação. Palocci afirmou que não há decisão sobre a meta de superávit dos próximos anos. Palocci, Dirceu e Mantega já haviam confirmado que o governo estudava elevar o superávit como forma de criar um novo instrumento, além do juro básico, para conter pressões inflacionárias. Mantega afirmou ontem que um novo decreto de programação financeira e orçamentária será divulgado hoje, mas não quis adiantar se o governo pretende liberar mais recursos para os ministérios ou aplicar cortes: ?Sobrando um pouco mais a gente usa. Até amanhã (esta quinta) nós já saberemos se teremos recursos a mais ou não?, afirmou. Mantega disse, ainda, que uma até então possível mudança na meta de superávit primário não comprometeria investimentos do governo previstos para 2004. O presidente da Comissão Mista do Orçamento, deputado Paulo Bernardo (PT-PR), afirmou que não vê necessidade de o governo encaminhar ao Congresso um projeto prevendo o aumento do superávit primário deste ano. Segundo ele, entre agosto de 2003 e julho de 2004 o governo já vem obtendo um superávit de 4,65%, portanto, bem acima da meta inicial acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI). ?Se mandar para o Congresso, vai tentar oficializar uma coisa que já existe na prática. Querer votar isso é pedir para apanhar. Vamos pagar um mico que nem no salário mínimo?, afirmou o deputado, que é a favor do superávit mais alto. O deputado disse, ainda, que o presidente Lula tem reclamado dos ministros que não estão gastando todos os recursos disponíveis para suas pastas. Paulo Bernardo disse que é um problema de gestão e brincou: ?Isso é um problema de gestão. O presidente precisa de uma varinha de marmelo?, afirmou o deputado, em referência às varinhas usadas antigamente pelos pais para bater nas crianças.