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Criadores da Dolly querem fazer clonagem humana

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Os cientistas que criaram a ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado do mundo, entraram ontem com um pedido de autorização para criar embriões humanos por clonagem para obter células-tronco. O objetivo, dizem, é estudar doenças neuromotoras. O professor Ian Wilmut, do Instituto Roslin, em Edimburgo, afirmou que pretende estudar o desenvolvimento das doenças paralisantes, como a esclerose lateral amiotrófica, com o objetivo de buscar um tratamento. ?Acreditamos que (a clonagem) oferecerá novas oportunidades para estudar doenças motoras neuronais?, afirmou Wilmut em entrevista coletiva. Se a licença for concedida pela Autoridade de Fertilização e Embriologia, será a segunda vez que se obtém autorização para clonar humanos na Grã-Bretanha. A primeira foi obtida por um grupo de cientistas da Universidade de Newcastle, que desenvolve tratamentos contra doenças degenerativas, como os males de Parkinson e Alzheimer. ?Não será usado em clonagem reprodutiva de jeito nenhum?, esclareceu o professor Christopher Saw, do Instituto de Psiquiatria, que vai participar do estudo. A clonagem humana reprodutiva é proibida na Grã-Bretanha, mas a terapêutica não. As células-tronco são células do corpo que têm a capacidade de se tornar outras células. A doença neuromotora afeta as células nervosas que levam instruções do cérebro até os músculos. O mal faz com que os músculos se enfraqueçam e cause a paralisia, mas o cérebro do paciente não é afetado. Cerca de 70 mil pessoas em todo o mundo sofrem da doença. O físico britânico Stephen Hawking é uma delas. Técnica similar Wilmut e seus colegas planejam usar a mesma técnica que deu origem à ovelha Dolly, em 1996. Eles vão extrair material genético de uma célula da pele ou do sangue de pacientes que sofram da forma hereditária da doença e vão colocá-lo num óvulo que teve seu núcleo removido. O óvulo será estimulado para que se torne um embrião e permitir que se desenvolva por cerca de seis dias. Em seguida, vão extrair as células-tronco. Os cientistas vão compará-las com células saudáveis e com as danificadas pela doença para entender melhor o mecanismo da enfermidade e testar tratamentos em potencial.

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